Se você estava no cinema em dezembro de 2019, provavelmente se lembra do impacto (ou do susto) que foi ouvir a frase: “De alguma forma, Palpatine retornou”. Para nós, fãs veteranos que passamos décadas debatendo cada detalhe da Força, e para a nova geração que estava chegando agora, aquele “de alguma forma” soou como um motor de hiperdrive engasgando no meio de uma fuga.
Seis anos se passaram desde A Ascensão Skywalker e, vamos ser honestos, a Lucasfilm parece aquele proprietário de casa antiga que descobriu uma infiltração séria e está, até hoje, tentando colocar massa corrida nas rachaduras do roteiro. A grande questão é: o “conserto” está ficando bom?
O “Projeto Necromante” e a Arte de Ligar os Pontos
A maior crítica ao Episódio IX sempre foi a falta de contexto para o retorno do Imperador e a existência da frota de Exegol. Parecia que tinham tirado um coelho — ou um Sith — da cartola. Mas o que estamos vendo agora é uma estratégia de mestre (ou de sobrevivência): usar as séries e os quadrinhos para dar sentido ao que vimos na tela grande.
Se você assistiu a The Bad Batch ou as temporadas mais recentes de The Mandalorian, percebeu que o tal “Projeto Necromante” não é apenas um nome legal. Estão finalmente nos mostrando os bastidores da obsessão de Palpatine por clonagem e transferência de consciência. O que antes era um buraco narrativo do tamanho da Estrela da Morte, agora está sendo preenchido com experimentos genéticos, contagem de MidiClorians t e muita intriga imperial.
O “Efeito Prequels” se Repetindo
Para quem viveu a era das Prequels (Episódios I, II e III), esse movimento é familiar. Na época, muita gente torceu o nariz para o desenvolvimento de alguns personagens, mas aí veio a animação The Clone Wars e transformou aquela trilogia em algo profundo e amado por quase todos.
Agora, a Disney está fazendo o mesmo com a trilogia sequencial. Através de livros como Master of Evil e as HQs do Darth Vader, estamos descobrindo que o Luke e o Lando já estavam investigando os Sith muito antes da Rey aparecer. Estamos entendendo que o sacrifício dos pais da Rey teve um peso muito maior do que um simples flashback de cinco segundos.
Star Wars sempre foi uma colcha de retalhos. George Lucas mudou ideias no meio do caminho, e a Disney seguiu a tradição (talvez de um jeito um pouco mais caótico). Embora o Episódio IX ainda seja um ponto de discórdia nas mesas de bar de Mos Eisley, é fascinante ver como a franquia se recusa a deixar uma história mal contada.
Esses “remendos” em The Bad Batch e nas séries live-action estão transformando uma conclusão apressada em uma saga de conspiração que atravessa décadas. Pode ser que daqui a dez anos, a gente olhe para A Ascensão Skywalker com muito mais carinho, graças a esse trabalho incansável de construção de universo.
Mas e você? Acha que “explicar depois” resolve o problema do filme ou o estrago já foi feito? Qual buraco na história você ainda quer ver preenchido? Deixa aí nos comentários!
Que a Força esteja com vocês (e que os roteiristas também)!




