Episódio VIII - Os Últimos Jedi

Dossiê | Rey Skywalker em Os Últimos Jedi – Apêndice III: Detalhes da novelização e do roteiro

Nesta mais nova atualização do Dossiê Rey Skywalker, vamos analisar como a novelização e o roteiro de Os Últimos Jedi corrobora a teoria. Colocamos isso nos apêndices pois, apesar de serem cânon, não tem a mesma força canônica que os filmes (exceto as cenas adicionais), sendo meramente uma base para uma interpretação mais correta.

O roteiro de Os Últimos Jedi está disponível na biblioteca do Oscars, a Margaret Herrick Library. Ele não está disponível online e os apresentadores do podcast Who Talks First fizeram a viagem para trazer trechos exatos do roteiro. A cortesia das transcrições em texto são do perfil Leviosa no Twitter.

Vamos abaixo analisar trechos, tanto da novelização quanto do roteiro, que parecem demonstrar que estamos mais perto da interpretação correta, mesmo que nenhuma teoria tenha 100% de certeza (E tá tudo bem!).

  • O prólogo da novelização

O prólogo é um sonho que mostra um universo alternativo onde Luke entrega os dróides para o Império e passa o resto de sua vida em Tatooine. Luke é casado com Camie (das cenas deletadas de Uma Nova Esperança), mas nunca tiveram filhos, mesmo os querendo:

“Não tiveram filhos — uma dor que se transformara numa tristeza que eles não mais admitiam sentir —, mas trabalharam duro e tiveram sucesso, construindo uma vida tão confortável quanto Tatooine permitia.”

Owen e Beru estão (ou estavam) vivos, mas o resto das pessoas importantes na vida real de Luke estão ou mortos ou ele nunca os conheceu. O Império venceu e há uma certa paz, mas ele sempre sente que foi destinado a fazer outra coisa. Algo particularmente notável nessa cena é a passagem de quando ele acorda:

“Não foi um sonho qualquer, e você sabe disso.
Luke puxou o capuz da túnica com sua mão mecânica, passando a de carne e osso pela barba. Ele queria discutir consigo mesmo, mas sabia que era melhor não. Era a Força que agia ali — ela havia se disfarçado de sonho para vencer as defesas que ele havia erguido.
Mas será o sonho uma promessa? Um alerta? Ou os dois?”

A passagem sugere que o sonho – o qual, de muitas maneiras, é uma inversão da realidade – é altamente significante.

  • O passado de Luke

Logo antes de Rey entrar na sala do trono de Snoke, há um grande texto expositivo. Uma parte dele nos chamou a atenção:

“Um obstáculo permanecera em seu caminho — Skywalker. Que fora sábio o suficiente para não reconstruir a Ordem Jedi, dispensando-a como a esclerosada sociedade eternamente em debate que se tornara em seus últimos suspiros. Em vez disso, o último Jedi buscara entender as origens da fé e as verdades maiores por trás dela.

Assim como seu pai, Skywalker fora um instrumento favorecido pela vontade da Força Cósmica. Isso tornava essencial acompanhá-lo. E, quando Skywalker pôs em perigo o plano de Snoke, tornou-se essencial que agisse.

E então Snoke utilizou seu vasto acúmulo de conhecimento para confundir o caminho de Skywalker, envolver sua família e controlar os poderes de Ben Solo, assegurando tanto a destruição de Skywalker quanto o triunfo de Snoke.”

Isso suporta diretamente um dos nossos argumentos-chave sobre Luke: ele já estava depressivo bem antes do massacre em seu novo Templo Jedi. Luke começou forjando um novo caminho para os Jedi, mas se voltou para a velha doutrina ao mesmo tempo em que Ben começou a sucumbir ao Lado Sombrio. Algo ou uma série de eventos o fizeram abandonar aquilo que o fez triunfar sobre Vader.
  • A “revelação” do parentesco de Rey

“Rey, finalmente fala seu maior medo. Algo que ela esperou muito que não fosse verdade. Mas finalmente, ela o diz.

REY: Eles eram ninguém.”

O roteiro diz que ela falou seu maior medo, não o que ela “sabia.” E o que Star Wars nos ensina sobre o medo?

“Medo é o caminho para o lado sombrio. Medo leva à raiva. Raiva leva ao ódio. Ódio leva ao sofrimento.” – Yoda

  • A cena do quarto de Ben

A narrativa dos fatos na novelização é bem interessante:

“E imediatamente Luke sabe que é tarde demais — Ele já fracassou com seu estudante. Porque os olhos de Ben estão abertos — assustados, mas cientes. Os poderes do garoto com a Força já é imenso, e continuam crescendo. E ele é um Skywalker.
Ele sabe o que Luke pensou.
Ele sabe o que Luke viu.”

O que Luke viu? Foi realmente o que Ben planejava fazer ou foi algo que ele já fez? Ben acha que sabe exatamente o que seu tio viu, e reage baseado nesse pensamento, mas isso ainda não está claro para o público.

  • A escolhida

Como regra, a novelização de Jason Fry segue o diálogo do filme. Mas há algumas exceções, um exemplo sendo a cena entre Luke e Rey na árvore Jedi, que tem linhas de diálogo adicionais, assim como a segunda lição. Porém, uma diferença em particular chama a atenção:

“– Rey — Kylo disse, pronunciando o nome dela como se fosse veneno. — A sua escolhida. Escolhida em vez de mim. Ela se alinhou com as velhas maneiras que tem que morrer. Chega de Mestres. Vou destruí-la, vou destruir você e tudo mais. Saiba disso.” (p. 358 na tradução brasileira)

Há uma probabilidade muito alta de que essas adições vieram de versões anteriores do roteiro. Agora o que chama realmente a atenção é este trecho:

“A sua escolhida. Escolhida em vez de mim.”

No contexto em que isso é dito, não faz muito sentido. Primeiramente, como Luke poderia ter “escolhido” Rey nos eventos anteriores à Batalha de Crait, sendo que ele fez de tudo pra afastá-la? Kylo sabe disso pois ele estava em contato com ela durante todo o filme. Segundo, Kylo considera Luke como inimigo e quer matá-lo, então por que Luke o escolheria pra qualquer coisa? Essa linha de diálogo não faz sentido com a situação e com o que a gente sabe. Portanto, isso deve estar se referenciando a informações do passado que não temos.

Como sabemos, Kylo tem um grande ressentimento de sua família. A linha “Escolhida em vez de mim.” sugere que Luke fez uma escolha que Kylo teve enorme ciúmes por sentir que deveria ter sido privilegiado com essa escolha. Seria motivo suficiente para esconder sua prima em Jakku.

  • A conexão entre Luke e Rey na batalha de Crait

A cena em que Rey levanta as rochas na novelização júnior (sem tradução no Brasil) tem adições bem interessantes:

“’Cada palavra que você disse está errada,’ ele disse a Ben. “A Rebelião renasce hoje.’

A Força o mostrou uma visão de Rey, que estava diante de uma fenda, meditando como ele a ensinou. Sua mão se estendeu, assim como uma pilha de pedras que estava na base de uma montanha.

‘A guerra está só começando,’ disse Luke.

Rey sentiu algo em sua mão. Sua respiração mudou. Luke sentiu que ela sabia que ele estava lá. Ele sempre estaria.”

E ainda há uma informação adicional no roteiro. Aparentemente, Luke e Rey tem o mesmo tipo de conexão que Kylo e Rey tiveram durante todo o filme.

“LUKE: A guerra está só começando.

Corta para Rey. Ela vê o rosto de Luke, eles se conectam, vendo um ao outro.”


Fonte: SWSC – [1], [2], [3], [4],

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