Resenha | Uma visão sobre “Ataque dos Clones”

Resenha | Uma visão sobre “Ataque dos Clones”

Ano de 2002 representou uma nova era para Saga e o inicio de um novo tempo. Star Wars” entrava na “era das franquias”, dividindo o espaço de estrela principal da temporada com uma nova geração de filmes para um mesmo público, já que havia no inicio desse século um novo gênero se firmando e conquistando uma enorme fatia do mercado. Os filmes de super herois estavam se tornando uma realidade frequente e de sucesso. “Homem-Aranha” e “X-Men” tornavam-se a porta de entrada de um gênero que não ia parar de crescer no decorrer dos anos.

No Brasil, o “Episódio II – Ataque dos Clones (AOTC)” teve sua estreia atrasada por mais de um mês. Tudo devido à estratégia equivocada de lançamento da Fox que havia pensado que em todo o país e, boa parte da América Latina, iam parar de fazer tudo em sua volta (e coloquem nisso daí o hábito de ir ao cinema também!), só para dar atenção ao evento Copa do Mundo da FIFA. Isso resultou em que? Trouxe “força” para privilegiar ainda mais a pirataria. Parabéns, Fox!

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No entanto, Star Wars respeitou uma tradição de rotina da saga. Pelo menos enquanto George Lucas esteve no controle de sua principal cria. O “Ataque dos Clones” foi lançado respeitando esse hiato de 3 anos entre um filme e outro da nova trilogia; como sempre foram lançados cada capítulo. O novo filme se passaria 10 anos depois e teria um tom menos ‘light’ do que o seu antecessor. Lembrando que, recentemente, a tradição foi desmembrada com o vindouro novo capítulo da saga a ser lançado no final desse ano e que agora terá um intervalo mais curto de um filme para o outro.

O filme teve um teaser e 3 trailers de divulgação. O primeiro “Breathing (Respirando)” mostravam cenas e nenhum dialogo. É o menor deles. O segundo, “Forbidden Love (Amor Proibido)”, focava no romance do casal do filme. Um terceiro foi lançado apenas no DVD do Episódio I e só era possível acessá-lo no site oficial através de uma chave que encontrava-se dentro do produto. O trailer se chamava “Mistery (Mistério)”, e era o que mostrava mais batalhas e  o que tinha mais cenas de ação. Por ultimo, o trailer final, praticamente contava o filme todo, para o azar de quem viu. O trailer contava muita coisa.

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Agora falando do filme em si. AOTC (sigla em inglês comumente usada entre os fãs do mundo todo para se referir ao Episódio II) conta a história da relação de mestre e aprendiz entre os personagens principais dessa nova trilogia: Obi-Wan (Ewan McGregor) e Anakin (Hayden Christensen) respectivamente e também o início do romance entre o jovem Jedi Padawan Anakin Skywalker e a ex-rainha, e agora senadora de Naboo, Padmé Amidala. Em resumo, é isso. O filme começa com a alta cúpula Jedi sendo aconselhada pelo Chanceler Palpatine (Ian McDiarmid) a escolher Obi-Wan para cuidar da proteção da senadora depois de uma tentativa de assassinato mal sucedida.

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Nessa altura o público já desconfia muito mais que Palpatine é o “disfarce” de Lorde Sidious perante o senado galático do que no filme anterior (Episódio I – A Ameaça Fantasma). Algo que sutilmente é mostrado em poucas cenas no primeiro e que agora toma mais contornos nesse incrível personagem. O filme também mostra que sua influência não era somente política, pois estava indo muito além disso. Perseverava inclusive dentro da Ordem Jedi, uma mostra que o poder do lado negro estava se ocultando facilmente dos sentidos deles.
Isso é o necessário para compreendermos o que seria o “ínicio do fim” de uma era onde os Jedi eram mostrados no seu auge, como nunca antes havíamos visto e que ocorre nessa nova trilogia.

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 É verdade que o conselho do séquito Jedi tinha Yoda (agora 100% gerado por computação gráfica) e Mace Windu (Samuel L.Jackson), dois expoentes máximos e dois talentosos Cavaleiros Jedi: Anakin e Obi-Wan. Mas é pouco, acreditem. A Ordem é mostrada nesse filme de uma forma que dá pena. Não pela estética dos acontecimentos dentro da história, mas por deixar claro o seu jeito desordenado, que durante todo o filme é mostrado como a conduta dos Jedi influenciou os problemas na galáxia e como eles estavam a cada instante deixando de ser a voz da razão.

No filme, Anakin dá os primeiros indícios de sua queda: Ignorando os conselhos do seu mentor; Esquecendo o código da ordem que o proibia de ter uma conduta mais afetiva; E principalmente mostrando sua soberba diante dos fatos. Estes últimos que não podem ser alterados e que por mais poderoso que ele se tornasse, não poderia mudá-los. Isso passa a ser a pólvora do estopim que cria o dilema dentro do personagem para que viesse a se tornar naquele que todos acreditam ser o maior vilão da história do cinema. A transição do personagem de Anakin Skywalker, para o que seria Lorde Vader na trilogia original, passaria por essas duas superfícies do roteiro: O romance e a amizade. Um segmento da história deu extremamente certo, o outro, a meu ver, não.

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É muito interessante notar que não faltou interesse de Lucas para que o romance desse certo. O ator selecionado para o cobiçado papel foi escolhido não só por ele, mas pela atriz que interpreta Amidala; a talentosa Natalie Portman. Os testes para o papel foram feitos no Rancho Skywalker em Marin, na California. Hayden Christensen se mostrou o candidato mais apto para o papel por mostrar duas coisas que Lucas procurava em um ator: Vulnerabilidade e agressividade. Duas coisas completamente opostas e que mostram que Lucas fez o certo em apostar nesses elementos para agregar dentro da história do personagem.
Mais uma vez a diferença entre criar a ideia e transferi-la para a telona enganou o “messias” da saga. O romance é o elo mais comprometido da trama. Se não fossem as cenas de investigação em Kamino, o segundo ato do filme estaria afetado e muito arrastado. Graças à edição e a margem de tempo que o diretor equilibra entre os acontecimentos que envolvem os planetas de Naboo e Kamino, que o filme vai indo em um ritmo agradável.

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Ainda assim, o Episódio II traz uma ótima captura de imagens soldadas a uma boa narrativa. Há algumas cenas na “Arena de Geonosis” que deveriam certamente ter tido menos CGI. É perceptível a dificuldade da produção em assimilar os efeitos práticos com os efeitos digitais durante essa parte. Cenas dentro da arena de Geonosis demonstram bem essa sensação. Em contrapartida, toda a batalha fora da arena dando o inicio as guerras clônicas , é um deleite para os olhos e é praticamente 100% digital.

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  • Melhores momentos do filme: Perseguição de Coruscant, Investigação em Kamino (Formação dos Clones), A Revelação de Conde Dooku sobre a influência dos Sith dentro do Senado e a Batalha Campal de Geonosis.

“Ataque dos Clones” foi o primeiro filme da saga que eu acompanhei cada detalhe, cada spoiler e cada entrevista. Em 1999 não tinha ainda a internet, desde então conservo esse hábito nocivo e viciante de querer saber tudo antes de todo mundo – e olha que era complicado – a Internet era discada, mas naquele tempo, o prazer da informação superava tudo e, o amor pela saga, idem…

Por Dark Marlowe