Muito Antes de Filoni: Como a Animação “Droids” Quase Deu um ‘Crash’ no Cânone de Star Wars

Muito Antes de Filoni: Como a Animação “Droids” Quase Deu um ‘Crash’ no Cânone de Star Wars

Muito Antes de Filoni: Como a Animação “Droids” Quase Deu um ‘Crash’ no Cânone de Star Wars

Saudações, viajantes da galáxia!

Quando pensamos no universo animado de Star Wars hoje em dia, é fácil ser engolido pela imensidão e qualidade do material disponível. Das sete temporadas épicas de The Clone Wars aos curtas antológicos de Tales of, passando pelas visões criativas de Visions e os sucessos como Rebels, The Bad Batch e o recente Maul: Shadow Lord, a Lucasfilm consolidou a animação como um pilar fundamental da franquia. É um espaço onde o universo se expande de maneiras que as produções em live-action raramente ousam tentar.

Mas você sabia que o compromisso da marca com a animação vem de muito, muito tempo atrás? Bem antes de Dave Filoni se tornar o arquiteto definitivo desse canto animado da galáxia, a Lucasfilm já estava usando as manhãs de sábado na TV para preencher as lacunas que os filmes não tocavam. E o resultado foi uma aventura clássica que, décadas depois, precisou de uma ajudinha técnica para não quebrar a linha do tempo.

As Aventuras nas Manhãs de Sábado

No dia 7 de setembro de 1985, estreava na rede americana ABC a série Star Wars: Droids — The Adventures of R2-D2 and C-3PO. A atração dividia um bloco de uma hora com a série Ewoks, batizado de The Ewoks and Droids Adventure Hour.

Produzida pelo estúdio canadense Nelvana, Droids teve uma vida curta: rendeu apenas uma temporada de 13 episódios de meia hora e foi concluída com um especial independente de 48 minutos chamado “The Great Heep”, que foi ao ar em junho de 1986. O motivo do cancelamento precoce? O custo de produção chegava a estimados US$ 500.000 por dupla de episódios, tornando o programa um dos pacotes mais caros da televisão nas manhãs de sábado daquela época.

Uma Aposta Segura (Ou Quase)

A trama de Droids acompanha nossos queridos R2-D2 e C-3PO passando pelas mãos de múltiplos donos em aventuras ambientadas antes de Uma Nova Esperança. A temporada é dividida em três arcos distintos:

  • Primeiro arco: Os droides acompanham os pilotos de speeder Thall Joben e Jord Dusat, fugindo do chefe do crime Sise Fromm e cruzando o caminho do lendário Boba Fett em uma participação memorável.
  • Segundo arco: A dupla é transferida para o bondoso fazendeiro Jann Tosh, envolvendo-se em uma conspiração para restaurar o trono de um príncipe alienígena em Tammuz-an.
  • Terceiro arco: Eles se unem ao mercador e aventureiro Mungo Baobab, tentando abrir uma nova rota comercial para o sistema Roon.

A decisão de George Lucas de focar nos dois droides foi puramente estratégica. Com o futuro da franquia de filmes incerto na época, R2 e 3PO eram a aposta mais segura para criar histórias que não entrassem em conflito com o que os cinemas pudessem fazer no futuro. A série não tinha Jedi, não tinha Aliança Rebelde e o único ator da trilogia original a retornar foi Anthony Daniels, dando voz ao C-3PO.

Ainda assim, 19 anos depois, essa estrutura quase causaria um colapso na continuidade.

O “Bug” de Continuidade e o Patch de Correção

A complicação surgiu em 2005, com o lançamento de A Vingança dos Sith. No final do filme, Bail Organa entrega R2-D2 e C-3PO aos cuidados do Capitão Raymus Antilles a bordo da Tantive IV. Essa cena foi escrita para conectar perfeitamente com uma fala de Uma Nova Esperança (1977), onde C-3PO diz a Luke Skywalker que o último mestre deles “foi o Capitão Antilles”.

A intenção original de Lucas em 2005 era sugerir que os droides ficaram a serviço de Antilles durante todos os 19 anos que separam o Episódio III do Episódio IV. O problema? Droids, produzida em 1985 sem nenhuma ideia do que a trilogia prequela faria, já havia preenchido essa mesma lacuna. A animação situava os droides com múltiplos donos diferentes em uma era aproximadamente quinze anos antes de Uma Nova Esperança. Na prática, A Vingança dos Sith havia contradito retroativamente a série animada.

Como resolver esse problema? Exatamente como se lança um patch de emergência para corrigir um erro crítico na arquitetura de um sistema em produção. O livro Star Wars: The Ultimate Visual Guide foi o responsável por aplicar essa correção de continuidade: a publicação revelou que os droides haviam sido acidentalmente separados do Capitão Antilles em algum momento, vivendo as aventuras da série animada, e apenas retornando ao serviço dele posteriormente.

Por pura sorte para a Lucasfilm, o alto custo que cancelou Droids impediu que o cânone ficasse ainda mais emaranhado. No final do último arco, Mungo Baobab vai embora e a série termina sem revelar para onde R2-D2 e C-3PO vão em seguida. Esse final em aberto, forçado pelo cancelamento, foi a brecha perfeita para garantir que essa joia esquecida da animação continuasse sendo parte oficial do universo que tanto amamos.

E você, já assistiu a algum episódio desse clássico perdido? Deixe sua opinião nos comentários!