A galáxia de Star Wars expandiu em uma velocidade alucinante sob o comando da Disney. Tivemos uma nova geração de Skywalkers e Solos, mestres Jedi da era da Alta República e até um novo Lorde Sith fascinante conhecido como The Stranger (cuja história, infelizmente, corre o risco de nunca ser concluída).
Desde que a Disney comprou a Lucasfilm em 2012, vivemos uma era divisiva — pelo menos para quem passa muito tempo no Twitter (ou X, se preferir). Mas, polêmicas à parte, personagens como a Rey de Daisy Ridley deixaram sua marca; tanto que o anúncio do seu retorno na Star Wars Celebration 2023 foi eletrizante. No entanto, a verdade precisa ser dita: a melhor personagem dessa nova fase nunca apareceu em um filme. E, curiosamente, ela fez sua estreia exatamente há 11 anos.
Indiana Jones, mas com um Desvio de Caráter (e muito charme)
Em janeiro de 2015, a Marvel relançou sua linha de quadrinhos de Star Wars e foi um sucesso estrondoso. Mas foi na edição #3 da série do Darth Vader, lançada em 25 de março de 2015, que o mundo conheceu a Dra. Chelli Aphra.
Se eu tivesse que resumir a Aphra para quem nunca leu as HQs, seria fácil: ela é basicamente um Indiana Jones reverso, cuja vida privada é um desastre completo. Enquanto Indy quer que o artefato vá para um museu, Aphra quer vendê-lo no mercado negro para pagar dívidas ou simplesmente para ver o circo pegar fogo. Ela é egocêntrica, brilhante e incrivelmente caótica.
Aphra estreou sendo recrutada pelo próprio Darth Vader — o que já mostra o nível da audácia da moça — e, desde então, ela pula de crise em crise, tropeçando em segredos antigos da Força que poderiam mudar o destino da galáxia. Ela é a nossa lente para uma história galáctica que vai muito além dos registros da República ou da Ordem Jedi.
O Esquadrão Suicida dos Dróides
Ninguém sobrevive no submundo sozinho, e a Aphra se cerca dos melhores (ou piores) companheiros possíveis. A dinâmica dela é um espelho distorcido do trio clássico:
Triple-Zero (0-0-0) e Beetee-One (BT-1): Imagine o C-3PO e o R2-D2, mas programados para sentir prazer em tortura e destruição em massa. Eles são “murderbots” hilários e aterrorizantes.
Black Krrsantan: O caçador de recompensas Wookiee que muitos de vocês conheceram em O Livro de Boba Fett na verdade começou sua jornada protegendo (e às vezes tentando matar) a Doutora Aphra.
Amor, Redenção e um Fazendeiro de Tatooine

A vida amorosa de Aphra é um campo de batalha. Seja no romance de rivalidade com a capitã imperial Magna Tolvan ou no vai-e-vem com Sana Starros (a “ex-mulher” de Han Solo), Aphra sempre estraga tudo por ser focada demais em si mesma.
Mas Star Wars é, no fundo, sobre redenção. O que torna a Aphra fascinante são seus encontros com Luke Skywalker. O idealismo puro do Luke brilha uma luz na escuridão da Aphra, fazendo-a desejar, mesmo que secretamente, ser alguém melhor. É o papel clássico do Luke como o “Grande Redentor”, funcionando perfeitamente mesmo em quem só quer saber de créditos e relíquias Sith.
Já passou da hora do Live-Action
A única grande decepção é que ainda não vimos a Doutora Aphra nas telas. Ela é o pacote completo: uma arqueóloga corrupta, acompanhada por versões insanas do Artoo e Threepio, com uma vida pessoal que é um caos total.
Com a franquia entrando em uma nova era após The Mandalorian and Grogu e Star Wars: Starfighter, trazer Aphra para o live-action não é apenas uma boa ideia — é uma necessidade. A galáxia precisa de um pouco mais de caos e um pouco menos de profecias solenes.





