Sentado aqui, olhando para a minha prateleira de colecionáveis, não pude deixar de rir ao ver o pequeno busto do Jar Jar Binks. Por décadas, ele foi o “bode expiatório” oficial da galáxia. O meme é eterno: o senador trapalhão que, com um discurso emocionado, entregou as chaves do reino para Palpatine e, de quebra, estendeu o tapete vermelho para o fascismo interestelar. Mas, como diz o velho ditado de Tatooine (que acabei de inventar), o sol sempre acaba nascendo, mesmo entre duas luas.
A Marvel lançou recentemente uma HQ especial de tirar o fôlego, escrita pelo próprio Ahmed Best — o homem que deu vida ao Jar Jar e que, após anos de ataques injustos, finalmente pôde contar a “sua” versão da história. E que história, meus amigos.
O Despertar de um Senador
A trama nos leva aos primórdios das Guerras Clônicas. Jar Jar se une ao Mestre Jedi Kelleran Beq (também vivido por Best em The Mandalorian) para investigar uma crise no planeta Urubai. O que ele encontra lá é o custo real da guerra: mineração desenfreada de coaxium destruindo o ecossistema e ignorando qualquer direito trabalhista.
Pela primeira vez, o peso da política bate na porta do Gungan. Ele percebe que aquele seu voto de confiança no Supremo Chanceler alimentou a máquina que agora devora mundos. Mas a crônica dessa redenção não para na culpa, ela se transforma em ação.
A Rede que Uniu a Galáxia
O Mestre Beq revela que a mineração revelou algo mais: o Cifristal (Cyphristal), um material capaz de criar uma rede de comunicação inquebrável. Enquanto Palpatine vê na guerra uma chance de poder, Jar Jar e Beq enxergam a necessidade de resistência.
O momento mais impactante? Jar Jar tenta confrontar Palpatine sobre a destruição de Urubai. A resposta do vilão é um banho de água fria: um planeta é um sacrifício aceitável pela “vitória”. É nesse instante que a ficha cai. Jar Jar percebe que foi usado, mas decide que não será silenciado.
E aqui vem o “pulo do gato” para nós, fãs de Star Wars Rebels: a inventora que eles resgatam para cuidar dessa rede de comunicações secreta é ninguém menos que Mira Bridger, a mãe de Ezra Bridger.

A Faísca que Virou Fogo
Olhar para essa HQ é entender que Jar Jar Binks pode ter sido a chave para o início do Império, mas ele também foi o arquiteto improvável dos primeiros canais de comunicação rebeldes. Aquela rede de rádio que os pais de Ezra usavam em Lothal? Aqueles sistemas de comunicação codificados que Luthen Rael utiliza em Andor? Tudo parece ter uma raiz nas mãos desastradas, mas agora determinadas, do nosso Gungan favorito.
É uma justiça poética ver Ahmed Best retomar o controle da narrativa. Jar Jar não é mais apenas o agente involuntário do mal, ele é o homem que, ao perceber o erro, começou a construir as ferramentas para consertá-lo antes mesmo da primeira Estrela da Morte ser um rascunho.

No fim das contas, Jar Jar continua sendo a chave de tudo. Mas, desta vez, ele escolheu abrir a porta da esperança.




