Saudações, colecionadores de capacetes, entusiastas do Hiperespaço e padawans que ainda estão tentando entender a árvore genealógica dos Skywalkers!
Se voltarmos para dezembro de 2015, o clima era de festa absoluta. Eu estava lá, na estreia, com o coração saindo pela boca. Depois de anos de “seca”, Star Wars estava de volta! O Despertar da Força foi um abraço quentinho de nostalgia: a Millenium Falcon voando de novo, o Han Solo em cena, e aquele clima de aventura clássica. Saímos do cinema empolgados, mas, como diz o ditado, “depois da festa, vem a conta”.
Hoje, com a trilogia de sequelas encerrada, é muito comum ver os fãs apontando o dedo para Rian Johnson e Os Últimos Jedi como o “divisor de águas” que descarrilou a saga. Mas, fazendo uma análise técnica (quase como quem revisa um código-fonte mal estruturado), o artigo da ComicBook traz uma verdade incômoda: o erro fatal aconteceu lá atrás, nas “Mystery Boxes” de J.J. Abrams.
Vamos entender por que o Episódio VII, apesar de ser um filme divertido, deixou a trilogia em um beco sem saída.
O “Ctrl+Z” na Vitória dos Rebeldes
O maior pecado de O Despertar da Força foi resetar o tabuleiro da galáxia para o estado de 1977. Em vez de vermos a Nova República florescer ou os desafios de governar após a queda do Império, fomos jogados de volta para: “Um pequeno grupo de rebeldes (Resistência) contra um Império gigante (Primeira Ordem)”.
Ao destruir a Nova República em cinco segundos com a Base Starkiller, o filme jogou no lixo todo o progresso de O Retorno de Jedi. Ficamos presos em um loop infinito de X-Wings contra TIE Fighters, sem espaço para a saga evoluir politicamente.
As Caixas de Mistério sem Chave
J.J. Abrams adora uma “Mystery Box”. Quem são os pais da Rey? Quem é o Snoke? Por que o Luke sumiu? O problema é que ele abriu essas caixas sem ter a menor ideia do que colocar dentro delas.
Ele criou perguntas fascinantes, mas não deixou um guia para os diretores seguintes. Quando o Rian Johnson assumiu, ele teve que inventar respostas para perguntas que talvez nem devessem ter sido feitas daquela forma. Foi como começar um projeto de software sem documentação: o próximo desenvolvedor vai herdar um “espaguete” de ideias.
A Cópia de Segurança de “Uma Nova Esperança”
Nós perdoamos na época porque estávamos com saudade, mas convenhamos: O Despertar da Força é, batida por batida, o Episódio IV com uma pintura nova.
- Mapa escondido em um dróide em um planeta desértico? Check.
- Uma super-arma que explode planetas? Check.
- Um vilão mascarado de preto com conflitos familiares? Check.
- Um mestre veterano morrendo em uma passarela? Check.
Ao ser tão seguro e nostálgico, o filme falhou em estabelecer uma identidade própria para a nova geração. Ele nos deu o que queríamos (o passado), mas não o que precisávamos (um caminho para o futuro).
O Luke Skywalker no Penhasco
A decisão de colocar o Luke exilado e mudo no final do filme foi um gancho épico? Foi. Mas também foi uma armadilha narrativa. Abrams colocou o maior herói da galáxia fora de combate enquanto seus amigos morriam e o sistema Hosnian era destruído.
Qualquer explicação para o Luke estar lá teria que ser drástica. Quando Os Últimos Jedi tentou explicar isso com a desilusão do Luke, metade do fandom odiou. Mas a pergunta que ninguém faz é: “Que outro motivo razoável o Luke teria para abandonar a irmã e os amigos enquanto o mal vencia?”. O Episódio VII pintou o Luke em um canto da parede e deixou o pincel na mão do próximo diretor.
O Despertar da Força é um filme delicioso de assistir, com um elenco carismático e um ritmo impecável. Mas, como fundação de uma trilogia, ele foi frágil. Ele preferiu o conforto da nostalgia em vez de arriscar uma construção de mundo sólida. No fim das contas, culpar as sequelas posteriores por não conseguirem consertar o que foi quebrado no início é como culpar o piloto por um pouso forçado quando a asa já saiu do hangar solta.
Mas e aí, você concorda que o J.J. Abrams foi o verdadeiro “Lorde Sith” que desequilibrou a trilogia, ou acha que a culpa ainda cai toda no colo do Rian Johnson? Vamos debater (com respeito, sem usar o Lado Sombrio!).
Que a Força esteja com vocês!





