Parece que foi ontem que estávamos todos surtando com o primeiro trailer de O Despertar da Força. Aquele som do sabre de luz do Kylo Ren, o Millennium Falcon fazendo manobras impossíveis e o Han Solo dizendo: “Chewie, estamos em casa”. Naquela época, em 2015, a sensação era de um abraço quentinho em um fã que estava órfão de cinema há uma década.
Dez anos depois, a conversa mudou. Muita gente olha para trás e diz: “Ah, o J.J. Abrams só fez um remake de Uma Nova Esperança para não arriscar”. Mas, calma lá, jovem Padawan (e você também, Mestre das antigas)! Se pararmos para analisar com a frieza de um droide estrategista, vamos ver que o Episódio VII não foi tão “safe” quanto a memória nos faz acreditar.
Vamos mergulhar nesse debate e ver por que o reinício da saga teve mais coragem do que a gente admite entre um gole e outro de leite azul.
O Peso de Matar uma Lenda
Vamos começar pelo elefante (ou Bantha) na sala: Han Solo. Dizer que um filme é “seguro” quando ele decide assassinar um dos maiores ícones da cultura pop de todos os tempos é, no mínimo, contraditório. Matar o Han não foi apenas um choque; foi uma declaração de que ninguém estava a salvo e que o “felizes para sempre” de O Retorno de Jedi tinha um prazo de validade. Se isso é jogar seguro, eu não quero nem ver o que é arriscar!
Um Vilão que não é o Vader 2.0
Muita gente esperava um novo vilão imponente, calmo e puramente malvado. Em vez disso, recebemos Kylo Ren. Ele era instável, tinha ataques de fúria, era emocionalmente quebrado e — pasmem — sentia o chamado da Luz. Trazer um antagonista que é um “fanboy” do próprio avô e que duvida de si mesmo foi um risco enorme. O público poderia ter odiado (e alguns odiaram), mas isso deu uma profundidade psicológica que a trilogia original só foi alcançar lá no final.
Deixando o Passado (Literalmente) Explodir
Enquanto Uma Nova Esperança nos mostrava a destruição de um planeta, O Despertar da Força decidiu apagar do mapa todo o Sistema Hosnian, o coração da Nova República. Em um piscar de olhos, todo o progresso político que nossos heróis conquistaram na trilogia clássica foi vaporizado. Foi um soco no estômago para quem passou anos lendo o antigo Universo Expandido e esperando ver a República florescer. Abrams não pediu licença; ele chutou a porta e disse que o status quo tinha mudado.
Protagonistas fora da “Caixinha”
Tivemos um Stormtrooper desertor com crises de pânico (Finn) e uma catadora de lixo que não sabia quem eram seus pais (Rey). Para uma franquia que sempre foi sobre linhagens reais e destinos traçados, começar com dois “ninguéns” perdidos no deserto foi uma mudança de tom interessante. Eles não eram heróis prontos; eram pessoas comuns sendo atropeladas por uma guerra que eles nem entendiam direito.
É fácil olhar para a Base Starkiller e dizer que é “outra Estrela da Morte”. Sim, a estrutura narrativa rima com o passado — George Lucas sempre disse que Star Wars é como poesia, ele rima. Mas reduzir o Episódio VII a um remake preguiçoso é ignorar as sementes de caos e drama que ele plantou.
O Despertar da Força precisava reconectar o público, e ele fez isso com maestria, mas não sem deixar algumas cicatrizes profundas na galáxia. Ele nos deu esperança, mas também nos tirou o chão. E, no fim das contas, não é isso que uma boa aventura espacial deve fazer?
E você, acha que o filme foi “cópia” ou “coragem”? Deixe sua opinião (com educação, por favor, não somos o Império) aqui nos comentários!




