Cronicas de Vos | Entre o Épico e o Escracho: Como Rogue One e Spaceballs Andam de Mãos Dadas

Cronicas de Vos | Entre o Épico e o Escracho: Como Rogue One e Spaceballs Andam de Mãos Dadas

Às vezes, a galáxia se inclina pra rir. Outras, esconde subtilezas que nos fazem levantar o cenho com a pipoca na mão. No caso de Rogue One (2016) e Spaceballs (1987), temos justamente isso: uma brincadeira épica que traz ecos — digamos — quase dramáticos de uma paródia clássica. Quem diria que o escárnio de Mel Brooks e a tragédia heróica da Aliança Rebelde poderiam caminhar lado a lado?

Em Spaceballs, temos um grupo improvisado de heróis — com direito a droid exagerado e planetas com escudo mundial — embarcando numa jornada para salvar sua atmosfera preciosa. Em Rogue One, também temos esse bando inusitado, um droid com presença marcante, um escudo de planeta (Scarif) e a missão de roubar os planos da arma galáctica mais temida. Claro que a proposta é outra — ação com risco de vida real, em vez de risadas — mas a estrutura fica parecida demais para ser coincidência.

Existe até um “mentor de ocasião” em cada história: Yogurt, no tom espirituoso de Spaceballs, e Saw Gerrera, duro e ameaçado, em Rogue One. Os protagonistas começam com motivações meio tortas e viram heróis no fim: Lone Starr de um lado, Jyn e Cassian do outro. A vilania também ecoa: o Império e Darth Vader no filme sério oferecem a contraposição refinada de Skroob e seus capangas em tom de paródia.

A semelhança mais curiosa — e irresistível de notar — é a presença de um escudo planetário com uma entrada única, além do protagonista tentando invadir esse planeta para salvar informações críticas. É tipo “cópia e cola dramático” só que sem formulário oficial.


Enquanto o leitor sorri (e o fã das antigas revirando os olhos), o recém-chegado talvez só sinta que aquilo lembra algo, como um déjà vu cósmico. E é esse contraste que torna a crônica tão saborosa — como chocolate amargo com aquela pitada de sal.