É domingo de manhã. O café recém-passado esfria na xícara enquanto rolo o feed de notícias, e me pego pensando em como o tempo é uma força curiosa. Mais de quatro décadas se passaram desde que Darth Vader cortou a mão de Luke Skywalker na Cidade das Nuvens e soltou a revelação que mudaria a cultura pop para sempre. Naquela época, o embate era por galáxias e almas. Hoje, a arena é outra: as exclusivas casas de leilão.
Na recente venda da Heritage Auctions, o passado voltou a ditar as regras do universo. Figuras clássicas da Kenner de 1978, lacradas em suas icônicas embalagens 12-Back C, foram o centro das atenções. Para quem não é da época das prateleiras abarrotadas no fim dos anos 70, esses são os tesouros sagrados do colecionismo.
Era a chance de uma revanche para o garoto de Tatooine. Mas, assim como nas telonas, o Lado Sombrio falou mais alto em formato de plástico e papelão:
- Darth Vader (AFA 80): O grande campeão, ostentando sua capa de vinil original e o cobiçado sabre de luz telescópico, foi arrematado por sonoros US$ 10.000.
- Luke Skywalker (AFA 75): O herói fazendeiro ficou muito para trás, vendido por US$ 4.625. Uma derrota amarga, custando menos da metade do valor do Lorde Sith.
Para quem acompanha esses eventos, Vader ser o “Santo Graal” não é exatamente uma surpresa — exceto quando um raríssimo Boba Fett entra na sala. O que realmente me fez sorrir neste leilão foi ver de onde veio a verdadeira ameaça ao reinado Sith.
Uma figura da Princesa Leia, com a mesma nota 75 de Luke, disparou nos lances e alcançou impressionantes US$ 9.375. Um amassadinho a menos na caixa e ela teria desbancado o pai sem precisar de um blaster. Enquanto isso, o resto da galáxia comeu poeira: lendas como Han Solo, Obi-Wan Kenobi e R2-D2 não conseguiram romper a barreira dos US$ 4.000.
O que tudo isso nos ensina neste domingo reflexivo? Que Star Wars é uma máquina movida a nostalgia e paixão. Mesmo com tropeços pontuais nas bilheterias — como vimos mais cedo neste ano com o desempenho morno de The Mandalorian & Grogu —, o poder do merchandising permanece inabalável. O plástico que brincávamos no tapete da sala virou ouro.
A galáxia pode estar em constante expansão com novas séries e filmes, mas os clássicos sempre terão seu lugar cativo e milionário no pódio. Isso nos faz pensar: que outros tesouros perdidos da nossa infância ainda aguardam em caixas de papelão esquecidas no sótão?
Se você pudesse ter apenas um desses bonecos originais da Kenner de 1978 na sua estante hoje, qual personagem escolheria e por quê?





