Crônicas de Vos | O Império de Papelão e a Força da Nossa Imaginação

Crônicas de Vos | O Império de Papelão e a Força da Nossa Imaginação

Domingos têm aquele ritmo próprio, não é? Aquele momento em que o café recém-passado fumaça na caneca, a casa ainda está silenciosa e o tempo desacelera o suficiente para a gente deixar a mente viajar por galáxias muito, muito distantes.

Enquanto olhava pela janela hoje cedo, me peguei pensando em uma data que está logo ali na esquina: no ano que vem, o nosso amado Star Wars original completa 50 anos. Meio século. É quase impossível mensurar o impacto que esse filme teve em Hollywood e nas nossas vidas. Desde 1977, ele foi copiado, homenageado e, claro, parodiado de todas as formas concebíveis. Existem tantas sátiras por aí que, se a gente juntasse todas, daria para montar um Episódio IV inteiro só de referências.

Quando a gente acha que a fonte das paródias secou, a internet prova que o limite da criatividade humana simplesmente não existe.

Foi assim que esbarrei em Cardboard Wars, a mais nova obra de arte absurda do YouTuber Zach King. Ele recriou Uma Nova Esperança praticamente do começo ao fim. A duração é de quase uma hora, e ele conseguiu passar por todos os grandes momentos da trama. Mas o detalhe que transforma esse vídeo em genialidade pura é o material de construção: cenários, naves e até a Estrela da Morte foram feitos inteiramente de papelão.

Sim, nós finalmente temos uma Millennium Falcon construída com caixas de pizza. E ouso dizer que Han Solo aprovaria a gambiarra.

A beleza de Cardboard Wars está no charme da produção caseira, abraçada por amigos e familiares. A escolha de escalar o próprio filho pequeno, Liam King, como Darth Vader foi uma daquelas sacadas brilhantes que arranca um sorriso automático. E o Chewbacca? O fiel escudeiro Wookiee foi interpretado por um simpático cachorro chamado Manny.

Olhando para a Maya, que está esparramada aqui no tapete tirando o seu merecido cochilo de domingo enquanto escrevo este texto, fico imaginando se ela teria a paciência de vestir uma bandoleira para ser minha copiloto. Provavelmente me olharia com reprovação e voltaria a dormir. Mas a escalação canina de Zach King é de uma justiça poética imensa, já que o próprio George Lucas se inspirou no seu cãozinho, Indiana, para criar o Chewie original lá nos anos 70.

Para completar a festa, o projeto ainda conta com a participação surpresa de Randall Park (o Jimmy Woo do universo Marvel) interpretando o Líder Vermelho do esquadrão de X-Wings, parecendo se divertir como uma criança.

Tirando as roupas e algumas máscaras alienígenas, o papelão domina a tela. Não faço ideia de quantas madrugadas regadas a café e cola quente foram necessárias para erguer a base de Yavin IV com material reciclável, mas o esforço valeu cada segundo. Qualquer paródia que ouse aparecer no horizonte nos próximos anos vai ter que suar muito para superar o carisma desse filme.

No fim das contas, projetos como esse nos lembram do porquê somos tão apaixonados por essa saga. Star Wars nunca foi apenas sobre orçamentos bilionários ou efeitos especiais de última geração. É sobre a fagulha da imaginação. É sobre juntar a família, pegar umas caixas velhas de papelão, olhar para o cachorro da família e decidir que, hoje, a sala de estar vai ser o centro de uma rebelião intergaláctica.

Um excelente domingo para todos vocês da Sociedade Jedi. Que a Força — e a criatividade — esteja sempre com vocês. E não deixem de conferir o vídeo do Zach King!