Se você, assim como eu, já passou madrugadas em claro com o controle na mão, sabe que o modo multiplayer é uma das maiores bênçãos da história dos videogames. Saímos daquela época de “passar o controle quando morrer” para arenas globais com centenas de jogadores. É lindo, é moderno, é tecnológico… mas também é o lugar perfeito para aflorar o que há de pior no ser humano quando alguém decide escolher “aquele” personagem.
Sabe do que estou falando, né? Aquele herói (ou vilão) que parece ter sido programado com um pouco de “ajuda extra” dos desenvolvedores. O equilíbrio é a alma de um bom jogo competitivo, mas, às vezes, a balança quebra. Hoje, vamos relembrar três lendas que transformaram partidas casuais em sessões de terapia de grupo, em ordem cronológica de lançamento.
1. Oddjob – GoldenEye 007 (1997)

Se você viveu a era de ouro do Nintendo 64, o nome Oddjob provavelmente ainda te causa um leve tique nervoso. GoldenEye 007 foi um marco para os jogos de tiro, mas o capanga de chapéu letal tinha um “superpoder” passivo: ele era baixo.
Pode parecer bobagem hoje, mas com os controles da época, mirar para baixo manualmente era um parto. Enquanto você tentava ajustar a mira, o jogador de Oddjob já tinha esvaziado um pente de KF7-Soviet no seu joelho. Na maioria das locadoras e salas de estar, escolher o Oddjob era motivo de expulsão imediata ou, no mínimo, de ganhar o rótulo de “apeleiro” pelo resto da vida.
2. Mestre Yoda – Soulcalibur IV (2008)

“Tamanho não importa”, disse ele em O Império Contra-Ataca. Pois bem, o Mestre Yoda mentiu. Em Soulcalibur IV, o tamanho importava muito. Enquanto o Darth Vader (exclusivo do PS3 na época) era um tanque pesado e equilibrado, o Yoda (exclusivo do Xbox 360) era um pesadelo verde e saltitante.
O problema era o mesmo do Oddjob, mas elevado ao nível Jedi: muitos ataques horizontais altos simplesmente passavam por cima da cabeça dele. Tentar acertar um combo no Yoda era como tentar dar um soco em uma mosca que revida com um sabre de luz. Ele girava, pulava e zombava das leis da física, tornando a experiência de quem jogava contra ele absolutamente frustrante. Um desequilíbrio na Força que nem o Conselho Jedi conseguiria explicar.
3. Meta Knight – Super Smash Bros. Brawl (2008)

Fechando nossa tríade da discórdia, temos o Meta Knight em sua versão de Super Smash Bros. Brawl. Aqui, o problema não era só a altura, mas a velocidade absurda. Ele era tão rápido, mas tão rápido, que seus ataques tinham prioridade sobre quase tudo no jogo.
Ele era uma pequena bola de destruição mecanizada. O Meta Knight tinha tantas opções de recuperação e ataques tão devastadores que a comunidade competitiva não teve escolha: ele se tornou o primeiro personagem a ser oficialmente banido de torneios. Quando você é bom demais para as regras do jogo, você sabe que o pessoal da programação pesou a mão no café no dia da criação.
No fim das contas, esses personagens fazem parte do folclore gamer. Eles nos ensinaram lições valiosas sobre paciência, estratégia e, principalmente, sobre como criar regras caseiras para manter a paz entre amigos. Afinal, ganhar é bom, mas manter o controle longe da parede e a amizade intacta é muito melhor.
E você? Qual personagem te faz querer desconectar o cabo do console até hoje?



