Já se passou quase meio século desde que George Lucas nos levou pela primeira vez para aquela galáxia muito, muito distante em 1977. Ao longo desses quase 50 anos, o público se acostumou com algumas verdades absolutas: a Força une todas as coisas, os Stormtroopers têm uma mira bastante questionável e os Hutts são as piores e mais asquerosas criaturas do universo.
Bem, parece que finalmente chegou a hora de reescrevermos pelo menos uma dessas regras.
O tão aguardado retorno de Star Wars aos cinemas após um hiato de sete anos com O Mandaloriano e Grogu não serviu apenas para matar a nossa saudade de ver o Din Djarin e nosso pequeno comedor de sapos na telona. O filme dirigido por Jon Favreau fez algo histórico: quebrou de vez o gigantesco equívoco de que todos os Hutts são gângsteres inescrupulosos.
A Maldição de Jabba
Desde que Jabba the Hutt deu as caras em Uma Nova Esperança, a imagem que ficou da espécie é de que eles são implacáveis, gananciosos e eternamente ligados ao crime organizado. Para quem está acostumado a rolar dados em campanhas de Dungeons & Dragons, é como se a espécie inteira tivesse nascido eternamente presa no alinhamento “Caótico e Mau”.
Nunca existiu muito meio-termo na tela. O próprio Jabba mantendo a Princesa Leia como refém foi o ápice de como essa raça sempre foi retratada como o puro suco da imoralidade, sempre operando nas sombras como os grandes mafiosos espaciais.
A Redenção com Rotta the Hutt
É aí que o novo filme surpreende ao focar na história de Rotta the Hutt. Sim, o antigo “Fedorento” (Stinky) que vimos bebê na animação The Clone Wars cresceu! E, ao contrário do que o determinismo genético de Tatooine mandaria, ele decidiu que não queria herdar a ficha criminal da família.
Com um excelente trabalho de voz original feito por Jeremy Allen White (o Carmy de The Bear), Rotta bate o pé e se recusa a seguir os passos de seu falecido pai e de seus temíveis primos, Os Gêmeos (The Twins). Em vez de administrar cartéis de contrabando ou jogar pessoas em poços de Rancor por pura diversão, Rotta está totalmente focado em construir a sua própria identidade, contrariando todas as expectativas cruéis sobre a sua espécie.
O Que Isso Significa Para o Futuro da Saga?
Claro, os fãs mais dedicados que mergulham fundo no Universo Expandido sabem que, lá nos confins do cânone, existem raríssimos registros de Hutts nobres. O problema é que eles quase nunca ganharam os holofotes nas mídias principais da franquia.
O desfecho de O Mandaloriano e Grogu eleva isso a um novo patamar de importância. O fato de Rotta não apenas escapar das garras de seus primos mal-intencionados e formar um vínculo genuíno com Din e Grogu, mas também se juntar à Nova República, é um marco narrativo.
- Liberdade Criativa: Redimir a imagem dos Hutts liberta a Lucasfilm da pressão de sempre precisar usá-los como os “chefões do crime” genéricos da semana.
- Novas Dinâmicas: Imagine as possibilidades que se abrem agora nesse período tão pouco explorado da linha do tempo. Podemos finalmente ter Hutts diplomatas, comerciantes honestos ou até heróis de guerra.
Embora o final do filme deixe em aberto qual será o próximo grande salto no hiperespaço de Din e Grogu, se a dupla continuar prestando serviços para a Nova República, as chances de os vermos em futuras missões conjuntas com Rotta são enormes — considerando o carinho que desenvolveram um pelo outro.
A galáxia acaba de ficar muito mais interessante. Quem sabe não veremos o início de uma nova era onde cruzar com um Hutt não significa necessariamente ter que preparar o blaster?
E aí, o que acharam dessa guinada na história dos Hutts? Gostaram do Rotta “do bem” ou preferem o bom e velho submundo criminoso de Tatooine? Deixem aí nos comentários!






