Sentado aqui, em pleno 2026, olhando para o horizonte de coruscant (ou melhor, para a tela do meu computador), é impossível não sorrir ao lembrar do “grande pânico” de 2012. Quando George Lucas vendeu a Lucasfilm para a Disney, o grito dos fãs ecoou mais forte que o de um Krayt Dragon: “Star Wars foi arruinado!”.
Bem, catorze anos se passaram. Tivemos tropeços? Com certeza. Defender A Ascensão Skywalker exige uma ginástica mental que nem um mestre Jedi conseguiria. Mas, se formos honestos e deixarmos o saudosismo cego de lado, precisamos admitir: a era Disney fez algo que George, em sua fase final, parecia ter esquecido — ela deu humanidade a quem era apenas cenário.
Nesta crônica da nossa galáxia, vamos falar sobre como dez nomes que nasceram nas mãos do mestre Lucas só encontraram sua verdadeira voz sob a batuta do camundongo.
Da Burocracia ao Coração
Comecemos por Mon Mothma e Bail Organa. Na trilogia original, eram rostos sérios em salas de reuniões. Bail era o pai da Leia que explodia em Alderaan; Mon era a senhora que dizia que “muitos Bothans morreram”. Mas em Andor e Obi-Wan Kenobi, eles ganharam camadas.
Vimos Bail não apenas como um senador, mas como um pai que olha para uma Leia de dez anos e diz: “Você é uma Organa em todos os sentidos”. E Mon Mothma? Em Andor, ela deixou de ser um busto de mármore para se tornar uma mulher jogando um xadrez político perigoso, sacrificando a própria família pela causa. Ela é, sem dúvida, a personagem que mais cresceu nesse tempo.
O Peso do Capacete e a Dor da Cicatriz
Até o “intocável” Darth Vader ficou melhor. Sim, ele já era o maior vilão da história, mas precisávamos daquela cena do corredor em Rogue One para lembrar por que ele era o terror da galáxia. E o duelo em Obi-Wan Kenobi? Aquele momento em que a máscara se quebra e vemos o olho de Anakin… ali, o vilão deixou de ser apenas um símbolo e voltou a ser um homem partido.
E por falar em homens partidos, Darth Maul é o exemplo vivo de resiliência. De um aprendiz silencioso que “morreu” rápido demais em 1999, ele se tornou, através de Rebels e agora com sua série solo Shadow Lord, um líder de sindicato complexo, movido por uma vingança que o consome e o define.
Humanizando o Coletivo
Talvez o maior mérito dessa fase tenha sido com os grupos. Os Clones, antes, eram apenas soldados descartáveis. Hoje, graças ao arco final de The Clone Wars (finalizado pela Disney) e The Bad Batch, sabemos que cada um era um indivíduo que lutava contra um chip no cérebro. Os Twi’leks deixaram de ser apenas dançarinas sexualizadas no palácio do Jabba. Com Hera Syndulla, vimos que eles são líderes, pilotos e o coração da Rebelião.
Os Tusken Raiders: The Mandalorian e The Book of Boba Fett fizeram o impossível: nos fizeram sentir empatia pelo “Povo da Areia”. Eles não são animais; são um povo com cultura, linguagem e um senso de território que nós, forasteiros, simplesmente desrespeitamos.
O Legado de Tatooine
Até o casal que começou tudo, Tio Owen e Tia Beru, recebeu o devido respeito. Em Obi-Wan Kenobi, eles deixaram de ser apenas as vítimas carbonizadas do primeiro ato de Uma Nova Esperança. Quando Owen olha para o Reva e diz sobre o Luke: “Ele é meu filho”, entendemos que o maior ato de heroísmo da galáxia não foi um sabre de luz, mas dois fazendeiros protegendo um órfão com a própria vida.
E, claro, temos Lando Calrissian e Ahsoka Tano. Lando ganhou uma nova vida com o charme de Donald Glover, e Ahsoka… bem, ela se tornou o novo pilar da franquia, carregando o peso do luto e da herança Jedi de uma forma que George mal poderia imaginar quando a criou como uma “abusada” aprendiz de Anakin.
Uma Galáxia Mais Povoada
No fim das contas, a Disney não arruinou Star Wars; ela o povoou. Ela pegou os brinquedos que estavam guardados na caixa e nos mostrou que eles tinham nomes, medos e motivações. Se o preço para ter Andor e essas evoluções de personagem foi aguentar um ou outro filme arrastado, eu diria que o trato foi justo. Afinal, a Força sempre busca o equilíbrio, não é mesmo?




