Lembra da Star Wars Celebration 2023, Londres. O ar estava tão carregado de eletricidade que eu achei que alguém ia soltar raios das mãos a qualquer momento. Quando a Kathleen Kennedy anunciou Daisy Ridley no palco e três novos filmes, parecia que a Lucasfilm finalmente tinha encontrado o mapa de Luke Skywalker para o futuro. Mas aqui estamos nós, em 2026, olhando para o calendário e percebendo que a galáxia mudou de órbita mais rápido do que a Millennium Falcon no Corredor Kessel.
Se você, como eu, ainda está esperando notícias concretas daqueles anúncios épicos, pegue um copo de leite azul e venha comigo, porque o cenário atual é… interessante, para dizer o mínimo.
A Dança das Cadeiras e os Filmes no Limbo
Três anos se passaram e o que temos? O projeto New Jedi Order da Daisy Ridley parece preso em um poço de Sarlacc burocrático. O filme do James Mangold sobre a Alvorada dos Jedi? Parece ter sido arquivado em algum cofre de Coruscant. O plano original de “acelerar” os filmes encontrou alguns asteroides pelo caminho.
Mas o que mais dói no coração do fã raiz é o silêncio sobre o projeto “clímax” do Mandoverse. Lembram? Aquele filme que o Dave Filoni — o aprendiz de George Lucas e agora Co-Presidente da Lucasfilm — iria dirigir para amarrar todas as pontas soltas de The Mandalorian, Ahsoka e Skeleton Crew. Muitos o chamavam de “Herdeiro do Império”. Pois é, o boato no submundo é que esse projeto pode estar, como dizem os caçadores de recompensa, “morto em vida”.
Filoni: De Diretor a General (ou Co-Presidente)
A promoção do Filoni foi uma vitória para os fãs, mas pode ter sido o golpe de misericórdia no seu filme. Agora, ele tem um estúdio inteiro para coordenar. Diferente de um James Gunn, que já nasceu fazendo cinema, Filoni ainda estava engatinhando no live-action com a primeira temporada de Ahsoka. Com a carga de trabalho de um Co-Presidente, será que ele realmente terá tempo de aprender a arte da direção de cinema para um blockbuster desse tamanho?
Além disso, a cultura pop deu uma guinada. Estamos entrando no que chamam de era “pós-franquia”. O público está cansado de precisar fazer “dever de casa” e assistir 10 temporadas de séries para entender um filme. E foi aí que o Jon Favreau deu a letra.
O “Reset” do Mandaloriano
O plano original era a 4ª temporada de The Mandalorian preparar o terreno para o filme do Filoni. Mas Favreau confirmou o que a gente já suspeitava: ele jogou os roteiros da temporada 4 no triturador e começou o filme The Mandalorian and Grogu do zero.
“Você não pode simplesmente pegar esses roteiros e transformar em filme”, disse Favreau. “Eles assumiam que você tinha visto tudo, focavam no Thrawn e preparavam a 2ª temporada de Ahsoka.”
O filme que estreou agora no mes de maio foi redesenhado para ser independente. Ele quer atrair quem nunca assinou o Disney+, mas que ama o Grogu. É uma mudança de estratégia clara: menos “Vingadores interconectados” e mais histórias autocontidas que brilham sozinhas.
Parece que a nova liderança da Lucasfilm está limpando os holoprojetores. Com Shawn Levy cuidando de Starfighter e Simon Kinberg em uma nova trilogia, o foco mudou. O sonho do “mega-evento do Filoni” pode ter sido sacrificado no altar da acessibilidade e da sobrevivência cinematográfica.
É triste? Um pouco. Especialmente para quem queria ver o Thrawn sendo o vilão definitivo nos cinemas. Mas talvez seja o que Star Wars precisa para respirar: menos amarras e mais aventura pura. Vamos esperar pela Celebration de 2027 para ver se as promessas, desta vez, vêm com uma data de validade mais longa.
Que a Força esteja com vocês, e mantenham os olhos nos céus!





