O Reboot que a EA Matou: Como ‘The Old Republic’ Quase Teve uma Segunda Chance de Ouro

O Reboot que a EA Matou: Como ‘The Old Republic’ Quase Teve uma Segunda Chance de Ouro

Saudações, membros da Sociedade Jedi!

Ao longo dos nossos mais de 11 anos de estrada escrevendo sobre os cantos mais obscuros dessa galáxia, já vimos muitos projetos incríveis serem engavetados. Mas a história de hoje tem aquele gosto amargo especial de uma oportunidade de ouro desperdiçada por uma clássica decisão de diretoria corporativa.

Para quem respira RPGs no PC ou nos consoles, o MMORPG Star Wars: The Old Republic (SWTOR) sempre foi um gigante controverso. A ambição inicial dos fãs era clara: ter uma aventura online que capturasse a mesma magia do clássico Knights of the Old Republic (KOTOR) da BioWare. Na prática, o que recebemos foi algo muito mais próximo de um “World of Warcraft com skin de Star Wars”. Mas o que poucos sabiam é que James Ohlen, veterano da BioWare, tinha um plano ousado para consertar tudo isso e trazer o jogo de volta às suas raízes.

O Plano de Ohlen: Um SWTOR 2.0

Antes de deixar a BioWare de forma frustrante em 2018, Ohlen elaborou um projeto audacioso de reinicialização. Ele queria fazer o que o jogo sempre deveria ter sido: a chance definitiva de fazer o KOTOR online, corrigindo os erros do lançamento original.

E não era apenas uma ideia solta em um quadro branco do escritório. A coisa era tão séria e promissora que ele conseguiu o apoio de figurões de peso da Lucasfilm. Ele apresentou o projeto para a presidente Kathleen Kennedy e para o nosso amado Dave Filoni. Filoni se empolgou tanto com a ideia que sugeriu situar a trama algumas centenas de anos antes da queda da República para criar um tie-in oficial com o novo cânone que estava sendo moldado.

O Chefão Final: A Diretoria da EA

Na indústria dos games, ter uma boa ideia é só 10% do trabalho, os outros 90% são convencer quem assina os cheques. E Ohlen conseguiu o impossível: ele convenceu Patrick Söderlund, o então vice-presidente da EA (e o cara por trás do recente Arc Raiders), a dar luz verde. Söderlund era conhecido por detestar o SWTOR original, então convencê-lo foi, nas palavras de Ohlen, “uma das maiores realizações” de sua carreira.

Mas todo jogo tem seu chefe final overpowered. Neste caso, foi a própria diretoria da Electronic Arts.

Os executivos ainda tinham pesadelos com o custo absurdo do lançamento original do jogo (na casa dos US$ 300 milhões) e simplesmente vetaram qualquer novo investimento massivo. A ironia dolorosa da situação? Foi exatamente nessa mesma época que a EA relatou que o MMORPG já havia gerado mais de US$ 1 bilhão em receita para a empresa. Eles lucraram absurdos, mas o medo falou mais alto e a diretoria questionou: “Por que diabos vamos gastar mais um monte de dinheiro?”

O Fim de uma Era e Uma Nova Esperança

O veto destruiu o moral de Ohlen. Ele relatou que passou a se sentir como uma “pessoa altamente bem paga e completamente inútil”, o que culminou na sua saída da BioWare. O MMORPG acabou sendo repassado para o estúdio externo Broadsword, enquanto o que restou da BioWare focava suas forças em Dragon Age e no próximo Mass Effect.

Mas nem tudo está perdido no Lado Sombrio dos cancelamentos corporativos. O sonho de um novo épico focado na Velha República ainda vive nas mãos de outro veterano da BioWare: Casey Hudson. Como já discutimos por aqui em artigos anteriores, o novo estúdio de Hudson (Arcanaut Studios) segue firme no desenvolvimento de Fate of the Old Republic, prometido para antes de 2030.

E vocês, o que acham? A EA perdeu a chance da década de revolucionar os MMORPGs de Star Wars ou foi melhor deixar o projeto morrer para dar espaço a jogos menores e mais focados? Deixem suas opiniões nos comentários!