Nesses nossos 11 anos de estrada aqui na Sociedade Jedi, poucas vezes a pressão esteve tão alta. Fazia exatos sete anos que a franquia não dava as caras nas telonas. A trilogia sequela se encerrou com A Ascensão Skywalker, que, sejamos francos, foi uma forma bem desajeitada de fechar a nova era da saga.
Enquanto o cinema tirava férias prolongadas, a Disney turbinou seu serviço de streaming. The Mandalorian, protagonizado por Pedro Pascal, foi o projeto inaugural que segurou a onda e manteve a Força viva em nossos corações. Desde então, fomos brindados com altos e baixos na TV: O Livro de Boba Fett, Ahsoka, The Acolyte, Obi-Wan Kenobi, Andor e o recente Maul — Shadow Lord. Mas, sendo uma das maiores franquias da história, era apenas uma questão de tempo até que o chamado dos cinemas falasse mais alto.
Quando me sentei na poltrona do cinema, confesso que eu também tinha minhas dúvidas. Escolher a narrativa que serviria de veículo para esse retorno tão aguardado era um campo minado. Apesar de todo o sucesso da série, a notícia de que O Mandaloriano e Grogu seria o responsável por quebrar a “seca” de sete anos gerou polêmica.
Mas agora que o filme finalmente está entre nós, fica difícil argumentar que a Disney e a Lucasfilm não tomaram a decisão correta.
O “Blockbuster” de Verão Perfeito
Não ajudou muito o fato de que a campanha de marketing liderada por Jon Favreau não vendeu bem o projeto. Tirando aquele trailer esquisito no Super Bowl e a falta de momentos que quebrassem a internet nas promos seguintes, muita gente torceu o nariz.
Havia quem dissesse que Star Wars deveria ter apostado em um filme de Andor para coroar a brilhante execução da série. Outros batiam na tecla de que o vindouro Star Wars: Starfighter, dirigido por Shawn Levy e estrelado por Ryan Gosling, deveria ter tomado a dianteira.
Por mais que ambas as ideias pareçam ótimas (e seria um sonho ver Tony Gilroy brincando com um orçamento de cinema), O Mandaloriano e Grogu tinha a mistura perfeita de ingredientes para o momento atual. A aventura espacial de um caçador de recompensas e sua criança alienígena é o autêntico blockbuster de verão americano. O filme é divertido do início ao fim e lida com temas perfeitamente universais: a família que escolhemos e a velha dicotomia entre o bem e o mal.
Após três temporadas no Disney+, a dupla Din Djarin e Grogu já é familiar o suficiente até para aquele seu primo que nunca viu um sabre de luz na vida. O filme de Gosling, por outro lado, ainda é uma grande incógnita para o público geral. Além disso, o filme de Mando se apoia no universo expandido, mas sem o fardo pesado de ter que explicar décadas de cânone para quem só quer comer pipoca.
Por Que o Retorno Precisava Ser “Seguro”
A dura realidade é que Star Wars se encontra em uma encruzilhada importante. A introdução da franquia na era Disney tem sido, no mínimo, tumultuada. Nós, fãs, somos apaixonados, mas também temos opiniões muito contundentes sobre os rumos da saga. Se por um lado isso mostra o engajamento da comunidade, por outro, é um pesadelo para quem está no controle criativo.
O retorno cinematográfico após sete anos não precisava reinventar a roda ou ser uma obra-prima vanguardista que dividisse opiniões, ele precisava, pura e simplesmente, ser bom. Precisava unir a base. E, ao colocar Dave Filoni e Jon Favreau no comando, a Lucasfilm minimizou drasticamente as chances daqueles famosos desastres de bastidores que assombraram produções como Rogue One, Solo e, de certa forma, Os Últimos Jedi.
O Mandaloriano e Grogu entregou exatamente o que era necessário: um terreno seguro. Agora que o universo está de volta aos cinemas e a poeira baixou, o estúdio pode respirar aliviado, pavimentando o caminho para tramas mais complexas e ousadas no futuro. O final do longa abre as portas para as próximas aventuras da dupla de pai e filho sem a urgência de ter que resolver todos os problemas políticos da galáxia.
A relação entre eles sempre foi a espinha dorsal da TV e, ao que tudo indica, continuará sendo o coração pulsante dessa nova fase nas telonas. E se isso significa mais cenas épicas do Grogu roubando a cena enquanto Mando atira para todos os lados, eu já estou na fila para a sequência.





