Saudações, mestres da Força e jovens Padawans! Aqui é o Sergio, o bom e velho QuinlanVos, e é um momento especial para a nossa cantina virtual. Enquanto celebramos os 11 anos de jornada da Sociedade Jedi — sim, estamos aqui desde 2015 debatendo cada hiperespaço e sabre de luz da nossa galáxia muito, muito distante —, nada mais simbólico do que nos reunirmos para falar do retorno da franquia às telonas.
Sete anos após o fim divisivo da trilogia sequel, O Mandaloriano e Grogu finalmente aterrissa nos cinemas sob a direção de Jon Favreau. E se eu puder resumir o sentimento de sair da sala escura com o balde de pipoca vazio, a verdade é uma só: o filme joga seguro, não reinventa a roda, mas é absolutamente impossível de odiar.
Vamos falar sobre os motivos que fazem essa ida ao cinema valer cada centavo, e também sobre os solavancos dessa navegação.
A Magia e a Diversão Estão Intactas
Vivemos tempos em que muitos blockbusters prometem diversão e entregam um cinismo cansativo. O Mandaloriano e Grogu é um antídoto para isso. É um escapismo puro e não adulterado. Favreau traz para a telona aquela energia nostálgica deliciosa dos anos 80, misturando a aura dos Spaghetti Westerns com a escala que só o cinema permite. A decisão de usar efeitos práticos e cenários reais sempre que possível faz uma diferença colossal na imersão.
Din Djarin (nosso querido Pedro Pascal e seus brilhantes dublês de corpo) e Grogu continuam sendo o coração pulsante da obra. A química entre o guerreiro estóico e a criaturinha adorável não apenas funciona, mas brilha ainda mais na tela grande. As cenas de ação são um espetáculo à parte: a abertura traz o Mando no auge de suas habilidades de caçador (quase um John Wick de Star Wars), temos combates aéreos que aquecem o coração de quem cresceu com a trilogia original, e as coreografias de luta estão fantásticas.
E, pelo amor da Força, precisamos falar da trilha sonora. Ludwig Göransson, que já é um gênio comprovado, entrega aqui uma paisagem sonora que mistura os temas clássicos que amamos com uma vibração eletrônica fantástica. É impossível não se envolver. A música dita o ritmo, faz o coração acelerar e é, sem dúvida, um dos maiores destaques do longa.
Os Asteroides no Caminho (Os Problemas)
Mas como nem todo salto no hiperespaço é perfeito, precisamos falar sobre os problemas. Se você vai ao cinema esperando um épico que redefina a mitologia de Star Wars ou mude as fundações da galáxia, ajuste seus defletores. O filme tem uma escala que lembra muito mais Solo do que Rogue One.
A história, de forma geral, é bastante simples e estruturada quase como uma lista de tarefas de videogame. Nossos heróis recebem uma missão da Nova República (com Sigourney Weaver comandando as coisas, o que é sempre maravilhoso), resolvem um problema, e logo pulam para o próximo. O enredo carece de peso e de consequências dramáticas maiores. As coisas se resolvem muito rápido, tirando um pouco do suspense da jornada.
Além disso, o ritmo dá um solavanco estranho. Há um momento antes do terceiro ato que pisa forte no freio. É uma sequência que seria um episódio de 25 minutos espetacular no Disney+, mas que quebra um pouco o fluxo frenético esperado de um filme desse porte.
Outro ponto que sofre com esse formato são os personagens secundários. Com exceção do adorado Zeb (de Rebels), muito do elenco de apoio fica subaproveitado. O grande exemplo é Rotta, o Hutt (dublado pelo ótimo Jeremy Allen White). O filho de Jabba tinha um potencial imenso para espelhar a dinâmica de pai e filho dos nossos protagonistas, mas acaba reduzido a uma ferramenta de roteiro para a trama avançar, assim como o antagonista silencioso, que rende boas lutas, mas zero desenvolvimento.
Vale a pena o ingresso?
A resposta curta é: com certeza. O Mandaloriano e Grogu não é o filme que vai alterar a sua visão sobre a vida ou expandir a lore da galáxia de forma irreversível. E tudo bem. Ele funciona como um episódio de luxo maravilhosamente produzido, feito sob medida para arrancar sorrisos de fãs das antigas e de quem acabou de descobrir esse universo.
O filme é gentil com seu público. Ele nos entrega heróis nos quais queremos acreditar, vilões levando o troco merecido, algumas das criaturas mais legais já desenhadas para a franquia (as cenas do Grogu com os Anzellans são ouro puro) e uma aventura espacial sem cinismo. É aquele tipo de magia descomplicada que, de vez em quando, é tudo o que a gente precisa para escapar da realidade por duas horas. Que a Força esteja com essa dupla, sempre.






