Saudações, padawans e mestres conselheiros!
Quem acompanha a nossa Sociedade Jedi sabe que a gente respira essa galáxia há muito tempo (já são 11 anos de estrada, de 2015 a 2026, documentando cada hiperespaço dessa franquia!). Hoje em dia, Star Wars é um colosso. Apesar das turbulências e debates acalorados pós-aquisição da Disney, o universo não para de expandir com novos filmes e séries. Mas, acredite se quiser, houve um tempo em que essa saga inteira quase não saiu do papel.
Atores lendários como Carrie Fisher, Mark Hamill e Harrison Ford já confessaram o quanto duvidavam que aquele “filminho espacial” daria certo. E se você acha que as ideias iniciais de George Lucas eram apenas trocar o nome “Skywalker” por “Starkiller”, prepare-se. O primeiro rascunho de 13 páginas de Lucas, intitulado apenas “The Star Wars”, é tão caótico e bizarro que chega a ser um milagre Uma Nova Esperança existir hoje.
Esqueça a Estrela da Morte: O Esquema era “Aura Spice”
No universo expandido e nas séries atuais, o “spice” (especiaria) é algo bem estabelecido — essencialmente a versão galáctica de entorpecentes, com carteis e contrabandistas fazendo fortunas. Mas nesse rascunho primordial de 13 páginas, a substância era chamada de “aura spice”. (E sim, é hilário pensar nisso hoje, considerando que a Geração Z usa a palavra “aura” basicamente como sinônimo de ter presença ou rizz).
A trama original não envolvia uma Princesa Leia carregando os planos de uma superarma letal. Em vez disso, tínhamos uma “princesa rebelde” sem nome que precisava ser escoltada por Luke Skywalker. O motivo da perseguição do Império? Ela e sua família estavam transportando “duzentas libras da inestimável aura spice“. Isso mesmo, a gênese de Star Wars parecia mais um episódio espacial de Narcos do que uma ópera épica contra uma ditadura fascista. O conceito de uma Estrela da Morte e a natureza puramente maligna do Império sequer existiam nessa época.
Uma Tropa de Adolescentes e a Cantina do Terror
Se a princesa contrabandista não fosse suficiente, o rascunho fica ainda mais solto nas ideias. Em determinado momento, os heróis encontram um grupo de 10 garotos adolescentes (entre 15 e 18 anos) que estão planejando atacar um posto avançado do Império. Até aí, ok, um espírito rebelde juvenil. Mas a escrita de Lucas nesse documento beira o surrealismo.
Temos pérolas do roteiro não-revisado como: “Eles param de rir, mas a risada continua.” Ou então uma descrição peculiar do nosso herói, que entra em um santuário “se coçando, divertindo-se com o idealismo dos jovens”, sendo descrito logo depois como “um verdadeiro general, um homem de verdade”.
Mas o prêmio de frase mais peculiar vai para a descrição do que viria a ser a icônica cena da Cantina de Mos Eisley: “O antro obscuro e pequeno é preenchido com uma variedade surpreendente de Aliens estranhos e eróticos rindo e bebendo no bar.” Felizmente, o Tio George deu uma bela limpada nessa visão antes de chamar o John Williams para compor a música!
A Força de Um Bom Trabalho de Revisão
Com as duras críticas que a Disney costuma receber hoje em dia quando um roteiro não agrada, essas 13 páginas são um banho de humildade. Elas nos lembram da sorte absurda que nós (e o próprio George Lucas) tivemos por algum executivo ter bancado esse projeto.
Rascunhos são sempre brutos, mas esse material mostrava que a espinha dorsal de Uma Nova Esperança demorou muito para ser encontrada. Foi só depois dessa fase caótica que Lucas desenvolveu o conceito da Força, a mitologia dos Jedi e a verdadeira face opressora do Império. Tudo acabou se encaixando e gerou uma das maiores obras-primas do cinema, mas é sempre bom lembrar que até as ideias mais geniais da galáxia começaram precisando de uma boa e velha revisão.





