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Na pele de Boba Fett: Temuera Morrison comenta seu retorno à Star Wars

Já se passaram quase 40 anos desde que os cinéfilos viram Boba Fett, o temível caçador de recompensas da trilogia original de Star Wars, sofrer uma queda um tanto quanto infeliz no Grande Poço de Carkoon, onde se presume que ele foi devorado pelo Sarlacc e, segundo as traduções do huttes pelo droid de protocolo, ser digerido por mil anos. Mas a morte muitas vezes é apenas um estado temporário em Star Wars, e depois de sua morte memorável (embora mortificante) em O Retorno do Jedi, um Boba Fett muito vivo reapareceu em romances subsequentes, histórias em quadrinhos e outras mídias , tendo sobrevivido a essa queda aparentemente fatal.

O Retorno Triunfal de Boba Fett

Boba Fett é um dos verdadeiros ícones de Star Wars , um personagem que instantaneamente se conectou com os fãs graças ao seu visual inegavelmente descolado e “fodão”, cuja mística só cresceu com o passar dos anos. A estreia do caçador de recompensas na tela grande foi em 1980 em Star Wars: Episódio V – O Império Contra Ataca (1980), em que ele rastreia a Millennium Falcon para Darth Vader, e mais tarde entrega Han Solo, congelado em carbonita, para Jabba, o Hutt. Da última vez que vimos Fett, no entanto, ele estava descendo uma duna de areia em 1983 em Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi. Por anos, os fãs desejaram que o personagem voltasse; embora não saibamos os detalhes, Fett sobreviveu ao encontro. No início, Morrison e os criadores do programa procuraram descobrir quem Fett é agora como pessoa. “Tivemos muitas discussões”, disse Morrison. “Eles tiveram que delinear onde estavam, realmente, e o que estavam pensando”.

The Mandalorian, a série do Disney+, ambientada no universo Star Wars em um período pouco explorado, também está se preparando para um retorno mais completo do enigmático Fett: o personagem apareceu em episódios anteriores e na edição mais recente, The Tragedy, Fett desempenhou um papel central quando foi atrás do herói-título do show (Pedro Pascal) em busca de sua armadura perdida.

Em The Mandalorian, Boba Fett é interpretado por Temuera Morrison, um veterano dos filmes anteriores de Star Wars. Morrison encarnou anteriormente Jango Fett, um bounty hunter que chama atenção pelo monocromático chumbo do Episódio II – Ataque dos Clones, personagem que fornece o modelo genético para o Exército Clônico da República, bem como para seu próprio filho, Boba, o futuro mercenário e inimigo de Han Solo.

 No terceiro filme acabou se tornando múltiplos Morrisons que aparecem no Episódio III – A Vingança dos Sith, no qual esteve na pele de vários soldados clones; ele também dublou Boba Fett e Jango Fett em vários videogames de Star Wars, e sua voz foi retroativamente adicionada às cenas de Boba Fett em O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi. Morrison, que também estrelou filmes como Once Were Warriors, Moana e Aquaman, falou na sexta-feira passada sobre assumir o “beskar” de Boba Fett e sua história com a franquia Star Wars

O ator lembra que quando cresceu na Nova Zelândia, seu pai adorava faroestes. Haveria programas à meia-noite na TV, e papai acordaria as crianças para virem assistir. “Tínhamos permissão para levantar no meio da noite e compartilhar esses filmes de cowboy de Hollywood com ele”, diz ele. “Com Mandalorian, acho que estou chegando ao fato de que tem uma sensação de cowboy. Uma sensação ocidental. Um sentimento de pistoleiro”. E, ao trabalhar com Morrison, Jon Favreau e Dave Filoni frequentemente referiam-se a atores clássicos do faroeste como Lee Van Cleef, Richard Harrison e Clint Eastwood como pontos de contato. “Você tem todos esses grandes atores da época do cowboy, com os quais eu pude me relacionar de certa forma, por crescer com meu pai amando filmes de cowboy. Então, estamos trazendo aquela sensação ocidental para o personagem também”.

Antes de cada filmagem, Morrison se reunia com Favreau e Filoni, mergulhando nas motivações de Boba, com Filoni em particular oferecendo uma valiosa história de fundo. Na verdade, Filoni e George Lucas contaram vários contos sobre o jovem Boba na série de animação Star Wars: The Clone Wars, particularmente seus primeiros passos no submundo após a morte de seu pai. “É um processo maravilhoso e muito gratificante. E eles me incluíram, também, se eu tivesse ideias e sugestões”, diz Morrison. “Tive o máximo de informações que pude, principalmente de Dave Filoni, sobre a relação de Boba com outros personagens e um pouco da história, que todos têm em mente. Ele é como uma enciclopédia ambulante, aquele cara“.

Em The Tragedy, Fett e Fennec acabam unindo forças com o Mandaloriano para lutar contra Stormtroopers em uma sequência estilisticamente energizada, visceral e muitas vezes brutal. (É, de fato, um episódio inconfundível de Robert Rodriguez do começo ao fim). Morrison se conectou com Rodriguez nas filmagens – até mesmo compartilhando acordes de guitarra durante o tempo de descanso – e trabalharam juntos para realizar Boba como uma força a ser reconhecida. “Dentro de Boba, se ele decidiu entrar em erupção, ele é como um pequeno vulcão”, diz Morrison. “E Robert estava extraindo um pouco disso de mim também. Então, quando fazemos aquelas sequências de luta, há um pouco de crueza ali, há um pouco de brutalidade ali”. A arma escolhida por Fett em The Tragedy é um bastão de Gaffi, que ele usa para obter um efeito altamente satisfatório para destruir capacetes de Stormtrooper. Quando o diretor Robert Rodriguez soube da cultura detaiaha e seu manuseio com bastões.

Seguimos abaixo na entrevista que o ator cencedeu ao NY Times e no final, o complemento de sua entrevista para o site oficial de Star Wars

Há quanto tempo você espera pela oportunidade de retornar à série Star Wars?

Havia um monte de assuntos online sobre um possível filme de um caçador de recompensas da série Star Wars, e então eu estava assistindo todos os novos filmes da trilogia sequel, me perguntando se eles fariam alguma coisa com Jango Fett. Meu agente e eu conversamos várias vezes – quando eles vão me ligar? Só que sempre eu acabava me esquecendo disso. Hoje em dia, eles têm uma série de opções. Eles poderiam ter chamado outras pessoas para fazer o papel. Eles podem ir com uma personalidade nova. Eles poderiam ter chamado o Dwayne johnson (The Rock). Eu me senti muito grato porque depois de todo esse tempo, algo aconteceu.

O que aconteceu quando você finalmente recebeu a ligação de que o criador da série Jon Favreau e o produtor executivo Dave Filoni queriam se encontrar com você?

Eu nem tinha certeza do que era The Mandalorian, mas eu meio que sabia que Jango e Boba tinham sua própria história Mandaloriano.  Na época, eu estava em Los Angeles, participando de outro filme, então fiquei agradavelmente surpreso ao receber a ligação.  Na verdade, cheguei à reunião bem cedo – fiquei tão animado que cheguei cerca de duas horas antes – e havia desenhos conceituais na parede. Eu vi uma imagem que se parecia comigo e disse: “Tenho certeza que sou eu”. Mas mesmo assim, eu não queria ficar muito animado.

O que você discutiu com eles naquela reunião?

Eu estava apenas ouvindo, não estava discutindo nada. E fiquei apenas acenando com a cabeça, sim, sim. Obviamente, eles tinham suas ideias sobre o que queriam fazer e devem ter me dito que queriam que eu desempenhasse o papel novamente. Mas eu estava tão nervoso que parte disso estava passando direto pela minha cabeça. Eu só falava coisas como: “Uau! Isso é ótimo.” Só quando voltei para o carro, após a reunião, me perguntei: “Isso realmente vai acontecer?” Mas, como você viu, aconteceu, então está tudo certo.

Eles falaram sobre ele ser um Boba Fett diferente e mais experiente do que vimos nos primeiros filmes de Star Wars?

Sim. Quando encontramos Boba, ele está cansado e já passou por muita coisa. Ele é um sobrevivente e está com aspecto de sofrido. Agora era hora de descobrir mais sobre o que move o personagem. Ele é mais do que um simples homem, tentando fazer do seu jeito pra sobreviver pela galáxia? Ele está cansado de todas as lutas? Ele está cansado de toda a matança?
A única coisa com a qual posso me identificar é que agora sou um homem bastante maduro e as coisas sempre mudam. Às vezes você está em Hollywood, em todas as revistas e jornais. E às vezes você acaba na loja de peixes e batatas fritas na Nova Zelândia, para onde vão todas as revistas e jornais antigos. Você é notícia velha. [Risos]

Sua maquiagem e figurino também o ajudaram a encontrar o personagem?

Eu estava fazendo esse tipo de trabalho de background – como esse cara tem que se parecer? Como ele vai soar? – e enquanto eu pensava, eles me maquiavam até que pronto, aqui está ele. Fizemos vários testes de maquiagem e trabalhei em estreita colaboração com o maquiador Brian Sipe. Quando vi algumas das cicatrizes em meu rosto, pensei, bem, talvez ele fale um pouco rouco. Talvez suas cordas vocais também tenham sido afetadas. Então, quando você veste o traje e ele lhe dá uma sensação de poder, faz você se sentir como o Superman. Quando coloquei a armadura pela primeira vez, parecia que funcionou.

Como você deseja incorporar sua formação cultural ao papel?

Eu venho da nação Maori da Nova Zelândia, um povo indígena – nós somos de Down Under oriúndos das Ilhas da Polinésia – e eu queria trazer esse tipo de espírito e energia, que chamamos de wairua. Fui treinado em minha dança cultural, que chamamos de haka (onde o Ha é a respiração e o Ka é o fogo). Também fui treinado em algumas de nossas armas, então foi assim que fui capaz de manipular algumas das armas em minhas cenas de luta e trabalhar com Gaderffii, que meu personagem possui.

Como você foi originalmente escalado para as prequels de Star Wars?

Devo elogios a George [Lucas] que me tornou Jango Fett em primeiro lugar. Filmamos em Sydney, então ele usou alguns atores da Nova Zelândia e da Austrália. Não demorou muito depois do filme que me revelou O Amor e a Fúria (Once Were Warriors, 1994) que me encontrei com o pessoal do elenco de Star Wars e sinto que foi esse o filme que me lançou em Hollywood. Não foi um grande filme de bilheteria aqui na América, mas as pessoas da indústria viram, e isso abriu mais algumas portas para mim, com certeza.

O que você lembra da sua passagem pelo set de O Ataque dos Clones?

Eu me diverti muito. Acho que posso ter matado George porque ficava cantando no set, brincando com as armas e vestindo as roupas. Acho que me diverti muito. Mas eu pensei, cara, se eu tiver outra oportunidade de fazer isso, vou realmente entrar e fazer o melhor trabalho que puder.

George Lucas explicou a você que acabaria interpretando todos esses outros personagens que foram clonados de Jango Fett?

Mesmo quando terminei o processo de filmagem, ainda havia muito trabalho a fazer – eu continuava recebendo ligações de George: “OK, só preciso de você no estúdio para dar voz a mais algumas coisas”. Num momento sou a voz disso, depois outro cara, depois o Comandante Cody e depois toda uma força de ataque de elite. As coisas continuaram indo e indo e indo, mas eu não me importei.

Você costuma ouvir de fãs de “Star Wars” que sentiram que Jango Fett sofreu uma morte inesperadamente abrupta?

Sim, bem, eu conheço o sentimento. Acabei assistindo O Ataque dos Clones em Dallas, e fiquei muito animado para assistir com esse novo som Dolby no cinema, pois era uma tecnologia nova na região. Eu estava começando a me divertir quando fui morto. “Uau, isso é bom. Ali estou eu.” [pausa] “Mas de qualquer maneira”. Minha jornada em O Ataque dos Clones durou muito pouco. Mas isso foi há muito tempo atrás. Agora estou de volta.

Lamento que você recebia essa pergunta com frequência, mas A Tragédia não aborda como Boba Fett sobreviveu ao encontro com o Sarlacc. Isso foi explicado a você? E você sabe como o personagem se manteve vivo?

Ah, não, eu não. Há muitas pontas soltas e não sou um daqueles caras que sabe muito sobre a história real. Os fãs de Star Wars, eles sim têm um melhor conhecimento sobre o que aconteceu, ou como ele ainda poderia estar vivo e até mesmo preso nesse lugar. Já eu, posso descobrir mais na internet.

Houve alguma conversa sobre seu retorno como Boba Fett, seja em The Mandalorian ou em outros projetos de Star Wars – até mesmo em uma série própria?

Vou ter que esperar para ver. Acho que muito depende de como as coisas vão nessa temporada, mas eu realmente não sei. Eu queria trazer tudo o que tinha para aquele [episódio] e dar a eles um vislumbre do que posso oferecer. Há sim um espaço para isso ir a algum lugar. Espero ser incluído.

Você espera se juntar a Baby Yoda em algum momento?

Baby Yoda é provavelmente o maior ator de Hollywood no momento, mas nunca trabalhei muito com ele ou com as pessoas que o manipulam. Minha única ligação com ele no capítulo não foi muito boa, como isca. Mas espero poder conhecê-lo e podermos ter uma pequena sessão de conexão.

No site oficial Star Wars o ator também tem uma entrevista muito semelhante na qual foi feita na manhã seguinte de estreia do episódio. Morrison ainda não tinha visto o episódio e estava curioso sobre a reação dos fãs. Quando o jornalista Dan Brooks diz à Temuera que adorou e que a recepção estava muito positiva, o ator ficou muito feliz. “Isso me dá muito incentivo”, diz ele. Mas esse retorno a Star Wars também deu ao ator um momento para refletir. “Conto minhas bênçãos e estou muito grato. Grato a George, na verdade, por me dar Jango Fett. E foi assim que tudo aconteceu ”, diz ele. “Estou muito grato por estar envolvido nesta produção maravilhosa.” Aquele garotinho na Nova Zelândia assistindo a filmes de cowboy – e seu pai – ficaria orgulhoso.” 

Entrevista traduzida do site The New York Times.


Atenciosamente,

Prof.º Me. Vebis Jr
Mestre em Cinema 
Especialista em Comunicação 
Graduado em Audiovisual e Multimídia”O Cinema é um campo de batalha” – Samuel Fuller

Vebis Jr

Professor/produtor/pesquisador/podcaster em Cinema. Velho anarco punk rocker! https://twitter.com/Vebisjunior