Resenha | Star Wars: O Despertar da Força

Resenha | Star Wars: O Despertar da Força

É inegável que para todo fã de Star Wars que a nova aventura da saga era o filme mais aguardado de 2015. A apreensão e nervosismo foi tomando conta de cada um (desde o fã da década de 70 até as pequenas crianças que conheceram a pouco tempo) a medida que Dezembro chegava. O grande segredo para esta espera enlouquecida se dá muito pelo fato de J.J. Abrams junto com a Disney/Lucasfilm conseguir manter em segredo o filme (ou grande parte assim como pontos chaves da trama). Com apenas alguns trailers e spots de televisão todos se reuniram no dia 17 de Dezembro para poder finalmente assistir o “futuro” da saga Star Wars. Atenção: este texto contém alguns spoilers do filme.

O Despertar da Força se passa cerca de 35 anos após o fim da batalha de Endor, onde o jovem Luke Skywalker derrota o perverso Darth Vader e o Imperador. A galáxia está mudada com uma Nova República no poder e uma crescente ordem a espreita surgida a partir dos restos do Império, a Primeira Ordem. No meio de tudo isto está a Resistência, com uma força bélica independente, mas com certo apoio do Senado da República. A trama tem início no planeta Jakku, onde a General Leia Organa envia seu melhor piloto para uma missão em que ele precisa recuperar um pedaço do mapa que levaria ao local onde Luke se exilou após um terrível acidente na academia Jedi que ele tentou fundar. A partir daí temos então o início do filme onde muitas reviravoltas e cenas de ação deixam o espectador preso por mais de duas horas na cadeira.

Dirigido por J.J.Abrams, e escrito por ele e Lawrence Kasdan (roteirista do Império Contra-ataca) a história gira em torno de Finn e Rey, dois jovens que se conhecem por acaso em meio a confusões no planeta Jakku. Eles são guiados por Han Solo ao longo do filme rumo ao paradeiro de Luke. Fugindo de todo material já escrito no antigo Universo Expandido (atual Legends), a dupla de roteiristas aproveitou para fugir de tudo que era conhecido para os antigos fãs. A sensação no início é de certa estranheza, já que tudo é novo ali (desde os planetas até as criaturas são novidades) e se acostumar leva um pequeno tempo. O filme nos tira da zona de conforto e nos joga novamente para 1977 onde ninguém tinha muito ideia de Star Wars, era tudo novidade! Ao mesmo tempo, existe um clima de nostalgia, principalmente quando personagens clássicos surgem. Aqui a trilha sonora ajuda muito, já que a cada referência a trilogia clássica é tocado um tema brilhantemente composto por John Williams.

Por falar em trilha sonora, o Despertar da Força me deixou um pouco decepcionado nesse quesito. Obviamente, John Williams fez um excelente trabalho e todas as trilhas são maravilhosas, mas a forma como foi utilizada – pontualmente – foi uma pequena decepção. Acostumado com uma trilha que permeia todo o filme, neste Episódio VII a trilha é usada em momentos chaves para dar ênfase ao momento, mas isto é uma decisão de direção do que do compositor das trilhas.

Uma das gratas surpresas do filme é o trio principal da história, os jovens atores Daisy Ridley, John Boyega e Oscar Issacs. Todos os três estão magníficos em cena, mas a jovem Daisy desponta como uma brilhante atriz. E a química entre Finn e Rey e Finn e Poe é sensacional e ficamos apenas com a vontade de ver uma cena entre o Poe e Rey, que deve acontecer no Episódio VIII. O lado sombrio também está impecável com Adam Driver vivendo o perverso Kylo Ren e sua faceta perturbada. O ator com ou sem capacete demonstra incrível tensão em seu personagem. Já Domhnall Gleeson está perfeito como General Hux, onde seu grande momento é o discurso com ares nazistas na base Starkiller. Já a Capitã Phasma, apesar de mostrar imponência com traço principal de sua personalidade, deixou a desejar, e precisa mostrar a realmente que veio nos próximos filmes.

Outro ponto a se destacar são os efeitos especiais. Diferente da trilogia prequela, onde tudo era basicamente computação gráfica, J.J. resolveu que quase todo o filme seria feito com efeitos práticos, indo contra toda uma onda do cinema atual. Mesmo onde a computação gráfica foi utilizada, como a captura de movimentos da personagem Maz Kanata ou até do Supremo Líder Snoke, a qualidade da renderização está espetacular. As criaturas que permeiam os cenários do filme são muito críveis e algumas chegam a andar de forma tosca, algo que remete muito aos filmes clássicos. Outro ponto que não pode deixar passar batido são os stormtroopers, novamente interpretados por atores reais (George Lucas, na época que filmou os episódios II e III optou por fazer todos os Clone Troopers em CG). E não podemos esquecer de BB-8, o pequeno astromech dróid bolinha que cativou o coração de praticamente todos os fãs e que diferente do que se pensava, ele é feito com efeitos práticos.

Se juntarmos todos os pontos positivos e negativos de O Despertar da Força, o filme é um dos melhores já lançados até então. Deixando totalmente de lado a trilogia prequela e seguindo a fórmula bem sucedida da trilogia clássica, o filme pode conter muitos elementos que se remetem a Uma Nova Esperança e ao Império Contra-ataca, mas ao mesmo tempo ele consegue se firmar como filme próprio. Os únicos pontos fracos, na opinião desse humilde editor, são as mesmas ideias já fracassadas da Primeira Ordem para querer dominar a galáxia e o uso do sabre de luz pelos personagens, a curva de aprendizagem de quem utiliza o sabre pela primeira vez é absurdamente alta. Em compensação o filme é audaz e corajoso em tirar a vida de um dos personagens mais queridos da saga.

O Despertar da Força é um filme que vai ficar para história. Pode não ganhar nenhum prêmio, mas ganhou o coração de milhares de fãs. Pode ter seus erros, mas o número de acertos é grande. Os atores são muito bons e os personagens melhores ainda. Valeu totalmente a espera por esses mais de 10 anos desde o lançamento do Episódio III e agora é esperar até Maio de 2017 para termos algumas respostas das muitas questões deixadas em aberto neste filme.

Sim, a Força despertou!

Com colaboração de: Beat Peixoto