A Força Despertou (de Verdade) nos Videogames: O Ano em que Star Wars Voltou a Brilhar

A Força Despertou (de Verdade) nos Videogames: O Ano em que Star Wars Voltou a Brilhar

Se você, assim como eu, acompanha essa galáxia muito, muito distante desde que os sabres de luz pareciam palitos de picolé brilhantes na tela de tubo, sabe que a nossa relação com os jogos de Star Wars tem sido… complicada. Na última década, tirando as aventuras do nosso querido Cal Kestis em Jedi: Fallen Order e sua sequência, Jedi: Survivor, passamos um bom tempo vagando no deserto de Tatooine. Tivemos jogos? Sim. Jogos excelentes? Nem tanto. E, para ser sincero, tivemos que engolir decepções amargas no meio do caminho (estou olhando para você, Star Wars Outlaws). Mas apertem os cintos da Millennium Falcon, porque 2026 provou ser o ano em que os videogames da franquia redescobriram sua glória. E a grande ironia? O sucesso não veio nas costas dos gigantescos e caríssimos projetos AAA, mas sim de lançamentos um pouco mais de nicho.

Tudo começou com Star Wars: Zero Company, que chegou disparando para o topo das paradas e mostrando que ainda existe muita criatividade para ser explorada nos estúdios menores. Mas o que realmente colocou o hiperespaço em chamas foi outro título.

Estou falando de Star Wars: Galactic Racer. Ao lado de pesos pesados como Resident Evil Requiem, Forza Horizon 6 e Mina the Hollower, esse jogo entrou de sola na conversa de Jogo do Ano (GOTY). É, muito provavelmente, a primeira vez que um game da franquia chega tão forte nessa disputa desde Fallen Order. Por ser um jogo de corrida arcade, sabemos como a indústria funciona e ele pode até acabar sendo esnobado nas indicações finais, mas ostentando uma nota 88 no Metacritic, ninguém pode negar que ele tem cacife para estar entre os melhores.

E por falar no jogo em si, se você gastou os polegares no Nintendo 64 com Star Wars Episode I: Racer, prepare o coração. O game é claramente inspirado no clássico dos podracers, mas traz uma pitada de insanidade que vai fazer os órfãos das séries Burnout e Wipeout abrirem um sorriso de orelha a orelha. A premissa é fantástica: com o domínio do Império finalmente quebrado, a Nova República está quebrando a cabeça para reconstruir a galáxia. Em meio a esse caos, caçadores de glória, animadores e apostadores da Orla Exterior se juntaram para criar a “Liga Galáctica” — um circuito de corrida clandestino e sem regras onde fortunas (e vidas) são perdidas em questão de segundos.

A recepção calorosa não ficou restrita à crítica especializada. Os jogadores abraçaram a loucura da Liga Galáctica com força: o jogo sustenta um belíssimo 84 no Steam, 92 na PlayStation Store e 4/5 estrelas na Xbox Store.

Agora, a melhor notícia para os contrabandistas de plantão que querem economizar seus créditos: se você ainda não testou o jogo, pode fugir completamente da etiqueta de US$ 60. O modo campanha e todo o conteúdo single-player de Galactic Racer estão disponíveis de graça via streaming no Amazon Luna, pelo menos lá fora, acessando minha conta Brasil ainda não aparece. O multiplayer não faz parte dessa oferta, infelizmente, mas a história principal pode ser jogada infinitamente enquanto o título estiver no catálogo do Luna.

É revigorante ver que a franquia não precisa depender de orçamentos astronômicos e fórmulas repetitivas para entregar experiências que nos lembram por que amamos esse universo. Seja você um Mestre Jedi veterano que jogava no Atari ou um Padawan que acabou de chegar, 2026 provou que ainda há muita velocidade e diversão na Orla Exterior. Que a Força — e o nitro — estejam com vocês!