De Volta para a Tela Grande? O Futuro de Star Wars e a Batalha pelas Séries de TV

De Volta para a Tela Grande? O Futuro de Star Wars e a Batalha pelas Séries de TV

Saudações, mestres Jedi, lordes Sith, e você que acabou de descobrir o que é um sabre de luz e ainda não escolheu um lado da Força! Puxem uma cadeira na Cantina de Mos Eisley e peçam um leite azul, porque precisamos ter uma daquelas conversas sérias (mas nem tanto) sobre o estado da nossa galáxia muito, muito distante.

Não é exatamente um segredo guardado a sete chaves nos cofres do Templo Jedi que Star Wars tem passado por um período… turbulento nos últimos anos. Claro, tivemos projetos como Andor, que foram recebidos com aplausos de pé em quase todos os sistemas estelares, mas, no geral, a franquia tem lutado para atravessar um campo de asteroides feito de críticas pesadas e reações negativas.

E, convenhamos, para nós que estamos aqui desde a época em que os efeitos especiais eram feitos com maquetes e muita fita adesiva, isso não é novidade. A retórica dominante hoje pode ser a de que a Disney “arruinou” Star Wars, mas a verdade inconveniente é que, muito antes do Mickey Mouse comprar a Lucasfilm, a trilogia prequela de George Lucas já estava sendo absolutamente destroçada por fãs e críticos. Reclamar de Star Wars parece ser uma tradição tão antiga quanto a própria Ordem Jedi.

Ainda assim, é inegável que os filmes da era Disney, especialmente a trilogia sequela, receberam sua cota generosa de ódio na internet. Só que, ao contrário de outros projetos, os filmes costumavam imprimir dinheiro. Antes de Homem-Aranha: Um Novo Universo (ou Brand New Day, na fase dos quadrinhos que inspirou muito do hype) quebrar recordes, foi Star Wars: O Despertar da Força que deteve o título de maior bilheteria doméstica de todos os tempos. As pessoas reclamavam, mas compravam o ingresso.

Hoje, a história é um pouco diferente. O recente filme The Mandalorian e Grogu provou ser uma decepção nas bilheterias no início deste ano, mostrando que a magia do cinema pode estar precisando de um polimento. Mas mesmo com esse tropeço, os “fracassos” dos filmes de Star Wars parecem pequenos quando comparados ao desempenho trágico de certas séries live-action recentes.

Tivemos produções como O Livro de Boba Fett, que foram amplamente criticadas e, francamente, ignoradas por boa parte do público. E do outro lado do espectro, tivemos The Acolyte e até mesmo certas escolhas em Obi-Wan Kenobi, que foram recebidas com um nível de fúria digno do Lado Sombrio. A Disney parece ter anotado a placa desse caminhão: a franquia, que antes lançava múltiplas séries por ano, agora tem apenas uma série live-action no horizonte: a segunda temporada de Ahsoka.

No entanto, a ex-presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, decidiu compartilhar sua visão sobre esse recuo estratégico das séries, e ficou bem claro que ela enxerga o tabuleiro de Holochess de uma maneira diferente.

Em uma entrevista recente ao Bloomberg Live, Kennedy defendeu que as séries de TV de Star Wars devem continuar a ser produzidas lado a lado com os próximos filmes da franquia:

“Acho que você absolutamente precisa fazer as duas coisas. O que é fantástico no streaming é que é uma forma diferente de narrativa. É uma narrativa de formato longo, e, curiosamente, George Lucas começou com narrativas em série. Foi isso que o inspirou… Então, eu acho que absolutamente algo como Star Wars pertence à televisão, mas é um processo diferente do que você passa ao fazer um filme.”

As palavras dela com certeza vão gerar aquele debate acalorado de sempre nos fóruns da HoloNet, mas, sendo muito sincero com vocês: ela tem razão.

Sim, faz sentido que Star Wars volte a focar na tela grande do cinema. A própria Marvel, “vizinha de empresa” da Lucasfilm, está percebendo que inundar o streaming de conteúdo pode diluir a marca. Mas Star Wars tem uma longa história com a televisão. Star Wars: The Clone Wars começou lá em 2008 (sim, estamos ficando velhos) e provou que o formato seriado é perfeito para expandir o universo, dar profundidade aos personagens e contar histórias que um filme de duas horas não conseguiria. Essas séries não deveriam simplesmente desaparecer.

O problema é que os executivos da Disney com as planilhas financeiras podem não ter a mesma visão romântica. Mesmo com o desempenho abaixo do esperado de The Mandalorian e Grogu, há um investimento e uma empolgação massiva no próximo blockbuster, Star Wars: Starfighter, e parece que essa será a estratégia principal daqui para frente — incluindo o que aparentemente será o próximo capítulo da Saga Skywalker (o que, admito, me deixa um pouco perplexo).

A dura realidade é que as séries de TV se tornaram caras demais para o retorno de audiência e a recepção que estavam tendo. Focar em grandes eventos cinematográficos faz sentido do ponto de vista dos negócios. Porém, como Kennedy bem pontuou, Star Wars perderia uma parte essencial da sua alma se abandonasse a televisão de vez.

Tudo o que nos resta agora é ter a paciência de um Mestre Jedi. O evento Star Wars Celebration acontece em abril do ano que vem, e a nossa grande esperança é que eles confirmem que ainda há espaço para algumas boas séries no futuro da franquia. Até lá, que a Força esteja com todos nós (porque vamos precisar).