O Primeiro Mace Windu Não Era um Jedi (E Muito Menos o Samuel L. Jackson)

O Primeiro Mace Windu Não Era um Jedi (E Muito Menos o Samuel L. Jackson)

Quando Samuel L. Jackson acendeu seu sabre de luz roxo em A Ameaça Fantasma, em maio de 1999, ele cravou o Mestre Jedi Mace Windu na cultura pop para sempre. Mas aqui na Sociedade Jedi, nós sabemos que o hiperespaço é cheio de anomalias temporais e segredos perdidos. Seis anos antes de Jackson dar vida ao personagem nos cinemas, já existia um Mace Windu rolando pelos materiais oficiais de Star Wars.

Só que ele não era um Jedi. Ele não era sequer humano. Ele era um alienígena peludo que vendia droides usados em Tatooine.

A Origem na Sucata de Mos Eisley

O ano era 1993. A editora West End Games publicava os aclamados manuais de RPG de mesa que, na prática, carregaram o peso de manter a galáxia viva durante a década de 90. Um desses livros era o Galaxy Guide 7: Mos Eisley, um guia de 96 páginas focado em detalhar cada esquina daquele “antro de escória e vilania” que Luke Skywalker conheceu. A ideia era dar aos mestres de RPG um arsenal de barmen, mecânicos e contrabandistas prontos para uso.

Foi aí que ele apareceu: um alienígena da espécie Squib, pequeno, coberto de pelos e com uma compulsão incontrolável por barganhar. Ele trabalhava em uma loja chamada Jawa Traders vendendo peças de segunda mão para o chefe, Aguilae. Seu nome? Mace Windy. E não, isso não foi uma homenagem ao personagem dos filmes, porque o filme ainda nem existia.

O Rascunho Esquecido de 1973

A West End Games não tirou esse nome de um gerador aleatório. Em janeiro de 1973, quatro anos antes de Star Wars chegar aos cinemas, George Lucas escreveu um tratamento de 13 páginas chamado The Journal of the Whills. É um texto quase irreconhecível hoje, mas a frase de abertura é lendária entre os garimpeiros da franquia: “Esta é a história de Mace Windy, um reverenciado Jedi-bendu de Ophuchi, conforme relatada a nós por C.J. Thorpe, aprendiz padawaan do famoso Jedi.”

O nome “Mace Windy” foi descartado por Lucas nas revisões seguintes e passou vinte anos acumulando poeira nos arquivos da Lucasfilm. Como era prática comum na época, os escritores dos RPGs recebiam listas de nomes não utilizados para batizar alienígenas de fundo. A Lucasfilm aprovou, e o Squib vendedor de sucata entrou para a história oficial (pelo menos a da época). Em 1994, quando Lucas finalmente sentou para escrever A Ameaça Fantasma, ele resgatou o nome da própria gaveta, ajustou para “Windu” e o entregou ao Conselho Jedi, ignorando solenemente o pequeno alienígena peludo que já ostentava a alcunha.

A Piada de Pablo Hidalgo

A história fica ainda melhor. Em novembro de 1996, o Star Wars Adventure Journal publicou um conto chamado “Spare Parts”. O autor era um freelancer chamado Pablo Hidalgo, que decidiu expandir a biografia do nosso querido Squib. Foi Hidalgo quem estabeleceu que “Mace Windu” era, na verdade, um apelido carinhoso. O nome completo do bicho era Macemillian-winduarté.

A grande ironia cósmica é que, anos depois, Pablo Hidalgo se tornou um dos membros fundadores do Lucasfilm Story Group, o conselho responsável por definir e policiar o que é ou não cânone em Star Wars. O homem que batizou um alienígena peludo com um nome impronunciável passou as décadas seguintes sendo o juiz que impediria que esse tipo de colisão cronológica acontecesse novamente.

Para consertar a existência de dois Mace Windus simultâneos, o antigo Universo Expandido fez o que fazia de melhor: inventou uma retcon espetacular. O The New Essential Chronology (2005) estabeleceu que o Mestre Jedi Mace Windu defendeu heroicamente o planeta natal dos Squibs durante as Guerras Clônicas. Em gratidão, o Rei Ebareebaveebeedee ergueu uma estátua do Jedi e concedeu a ele o título de “Grande Herói de Elite Além dos Squibs”. A implicação sutil era que o nome virou um símbolo de patriotismo, justificando por que um vendedor de droides em Tatooine adotaria o nome do Jedi.

Quando a Lucasfilm moveu todo esse material para o selo Legends em 2014, a conexão oficial foi apagada, e o Squib voltou a ser apenas uma coincidência bizarra nas margens da franquia. No fim das contas, é um destino poético. Ele era um catador de sucata e, assim como as peças que vendia, seu nome foi algo que alguém encontrou jogado no fundo de uma gaveta e decidiu reutilizar.