Sejam bem-vindos de volta à Sociedade Jedi! Se você é um fã mais recente, que chegou no universo Star Wars surfando na onda de The Clone Wars, Rebels ou das séries live-action, talvez não saiba que a nossa amada franquia já dominava as manhãs de sábado muito antes da virada do milênio. E se você é das antigas e já tinha idade para segurar um controle remoto nos anos 80, prepare-se para uma dose pesada de nostalgia.
No dia 7 de setembro de 1985, Star Wars invadiu a programação matinal da TV. Não tínhamos Luke Skywalker empunhando seu sabre de luz, nem a respiração mecânica de Darth Vader. Em vez disso, as estrelas eram a nossa dupla dinâmica favorita, R2-D2 e C-3PO, além de um bando de criaturinhas peludas da lua florestal de Endor. Embora uma série tenha durado apenas uma temporada e a outra chegado a duas, o impacto delas no coração dos fãs foi profundo e merece muito mais respeito do que costuma receber.
Esses desenhos não eram imitações baratas feitas para vender bonecos (ok, eles vendiam bonecos, mas a qualidade estava lá). Produzidos pela Lucasfilm em parceria com a empresa canadense Nelvana, eles foram criados para expandir o universo de forma oficial. Vamos relembrar como essas séries moldaram a infância de muitos de nós, antes de serem empurradas para a gaveta do “Legends”.
Droids: A Primeira Verdadeira Prequel de Star Wars

Antes de pensarmos na Ameaça Fantasma, Star Wars: Droids já nos mostrava o passado da galáxia. A série se passava anos antes de nossos heróis metálicos conhecerem Luke Skywalker (cerca de 15 ABY), acompanhando R2-D2 e C-3PO pulando de mestre em mestre e se metendo em confusões com criminosos, piratas e caçadores de recompensas.
A série tinha uma trilha sonora de abertura cantada por ninguém menos que Stewart Copeland, do The Police, o que já dava um tom de grande aventura ao invés de um simples desenho infantil. Mas o grande trunfo de Droids era a forma como expandia a galáxia:
- Pessoas Comuns, Aventuras Épicas: A série introduziu personagens como Jann Tosh, um jovem mineiro comum que se torna aliado dos droides. Ele é a prova de que a galáxia funcionava muito bem mostrando cidadãos normais sendo arrastados para o épico, provando que nem todo mundo precisava ser um herói mítico ou um Lorde Sith.
- Vilões Caricatos, mas Memoráveis: Como esquecer de Kybo Ren-Cha? Um pirata espacial extravagante, deliciosamente bizarro e sem medo de ser ridículo. Ou a Gangue Fromm, uma família criminosa que acabou cruzando o caminho de um jovem Boba Fett.
- Novos Mundos: Arcos como “Trigon One” e “Roonstone” nos levaram a cantos desconhecidos do universo, mostrando que havia espaço para criar planetas, veículos e mitologias apenas pela diversão da aventura.
Ewoks: Fantasia e Magia na Lua Florestal

Enquanto Droids focava na ficção científica e na escória da galáxia, Star Wars: Ewoks foi por um caminho completamente diferente. Era uma aventura de fantasia focada em amizade, magia e família, mostrando que Endor era muito mais do que apenas o quintal do gerador de escudo do Império.
A série expandiu absurdamente o que sabíamos sobre a tribo de Wicket, Kneesaa e Teebo. A lua florestal revelou-se um mundo exótico, cheio de perigos que fariam um Stormtrooper tremer na armadura:
- Bruxaria e Criaturas: Tivemos a introdução de Morag, a Bruxa Tulgah, que servia como um contraponto sombrio e mágico ao xamã Logray. Havia feitiços, artefatos místicos e rivalidades antigas.
- Os Duloks: Uma espécie rival e pantanosa aparentada aos Ewoks, provando que o ecossistema de Endor era complexo e cheio de disputas territoriais.
- O Encontro de Dois Mundos: O auge da série talvez seja o episódio “Battle for the Sunstar”, que mistura a ambientação fantástica da série com um Star Destroyer Imperial, ameaçando os planos do próprio Imperador. É o tipo de narrativa corajosa que conecta um mundo pequeno ao grande conflito galáctico.
Um Cânone do Coração
Quando o cânone de Star Wars foi reiniciado em 2014, Droids e Ewoks foram movidos para o selo “Legends”. Foi um dano colateral na busca por uma continuidade mais simplificada.
É impossível não sentir falta de uma época em que a franquia não tinha medo de abraçar a estranheza e misturar o tom de desenhos animados matinais com o vasto mundo criado por George Lucas. Essas séries não eram obras-primas irretocáveis, e nem precisavam ser. Elas fizeram a galáxia parecer maior, mais estranha e infinitamente mais imaginativa.
Hoje, elas podem não fazer parte da linha do tempo oficial, mas continuam intactas nas memórias de quem acordava cedo no fim de semana, pegava uma tigela de cereal e viajava para uma galáxia muito, muito distante. E, no fim das contas, a nossa memória afetiva é um cânone que ninguém pode apagar.






