Star Wars Zero Company: Um XCOM na Galáxia Muito, Muito Distante (Que Precisa de um Patch Urgente)

Star Wars Zero Company: Um XCOM na Galáxia Muito, Muito Distante (Que Precisa de um Patch Urgente)

Vamos tirar o bantha da sala logo de cara. Sim, o novo jogo tático da EA e da Bit Reactor, Star Wars Zero Company, é basicamente um XCOM com sabres de luz. E considerando que o estúdio foi fundado pelo diretor de arte da franquia XCOM, Greg Foertsch, isso não é um defeito, é um trunfo. A grande questão que pairava no ar era: o jogo tem identidade própria ou é só uma skin preguiçosa? Felizmente, a Força é forte neste aqui. O estúdio entregou uma experiência incrivelmente profunda, mesmo com alguns problemas técnicos que fariam um dróide astromecânico entrar em curto-circuito.

A trama se passa nos tensos meses finais das Guerras Clônicas — a saudosa era das prequels que a gente tanto ama. Você assume o papel de Hawks, um ex-capitão da República que, após uma missão dar terrivelmente errado, acaba liderando um esquadrão de mercenários renegados, a Zero Company. A missão principal? Trabalhar secretamente para a República e desmantelar uma seita bizarra liderada por Fathom, uma vilã com a habilidade assustadora de controlar mentes. O desenvolvimento da história é impecável, digno das melhores produções live-action recentes, cheio de reviravoltas e participações que vão fazer o fã das antigas sorrir para a tela (incluindo o próprio Anakin Skywalker).

Como alguém que vive mestrando campanhas de RPG de mesa, eu admito que a dinâmica de equipe de Zero Company me ganhou na hora. Você recruta ex-Separatistas, clones, contrabandistas, caçadores de recompensas e até Jedi. A forma como eles interagem na base, desenvolvendo amizades ou inimizades viscerais, afeta diretamente as opções que você tem durante as missões. E sim, existe morte permanente. Ver a relação entre o clone ferido Trick e o atirador Luco evoluir, sabendo que qualquer um deles pode morrer permanentemente por um erro tático seu, traz um peso emocional absurdo para cada turno.

Falando em turnos, o combate tático é onde o jogo realmente brilha. Você leva quatro operadores para a missão, cada um com três pontos de ação. A assimetria do esquadrão é fantástica: jogar com um Jedi usando ataques de sabre e a Força exige estratégias completamente diferentes de usar uma mandaloriana voando de jetpack pelo mapa atirando dardos de choque. Existe uma mecânica brilhante de assistência que permite cobrir aliados e fortalecer os laços da equipe no meio do tiroteio. A única parte genuinamente arrastada e dispensável são os segmentos de exploração em terceira pessoa antes de algumas batalhas. É um tempo perdido andando por cenários bonitos, mas completamente vazios. Sinceramente, minha cachorra Maya teria mais o que fazer rodando pela casa nesses momentos do que o próprio Hawks andando pelo mapa sem interagir com nada.

Mas nem tudo é luz, e o Lado Sombrio do jogo ataca diretamente na performance. Como alguém que passa o dia lidando com arquitetura de software e caçando bugs em sistemas, os problemas técnicos de Zero Company testaram minha paciência. Jogando no PS5, presenciei a câmera apontando para uma parede no meio de uma animação de finalização épica, o framerate caindo drasticamente em mapas lotados, e o jogo literalmente congelando por quase um minuto antes de computar uma ação simples. É frustrante ver uma estratégia de flanqueamento perfeita ser ofuscada por uma falha de otimização que suga todo o ritmo da batalha.

Apesar da dor de cabeça técnica, Star Wars Zero Company entrega uma das campanhas táticas mais envolventes dos últimos anos. Se você ama a franquia e tem paixão por jogos de estratégia que punem seus erros e recompensam sua criatividade, vale a pena relevar os engasgos para viver essa jornada de 30 horas. Mas se paciência não é sua virtude Jedi principal, talvez seja melhor esperar a chegada de alguns patches de estabilidade. Aqui é o Sergio, lembrando que a EA tem nas mãos uma joia bruta — só esperamos que eles deem o suporte que a Zero Company merece para realmente dominar a galáxia.