Para alguém que desembarcou neste mundo no exato mesmo ano em que Uma Nova Esperança explodiu nos cinemas, acompanhar a evolução de Star Wars é quase como observar a transição dos antigos data centers para as modernas infraestruturas em nuvem. A franquia, que antes era definida exclusivamente pelos grandes e escassos eventos cinematográficos da Trilogia Original e das Prequels, escalou para novos formatos. Desde 2008, com o pontapé inicial de The Clone Wars, a TV se tornou um pilar central da saga. E, sob a gestão da Disney, vimos o catálogo expandir drasticamente: o fim épico da própria Clone Wars em 2020, o fenômeno de The Mandalorian, derivados como Solo e Rogue One, e, claro, a polarizadora Trilogia Sequela.
Mas vamos ser honestos: o atual cronograma de lançamentos da Lucasfilm anda mais instável que o hyperdrive da Millennium Falcon. No momento, a lista oficial de séries de TV confirmadas está surpreendentemente enxuta, contando apenas com a segunda temporada de Ahsoka e a intrigante segunda temporada de Star Wars: Maul – Shadow Lord. No cinema, o cenário parecia ainda mais desértico. A única data realmente cravada no calendário é 28 de maio de 2027 para Star Wars: Starfighter. O resto da lista parecia preso no hiperespaço, desde a trilogia teórica de Simon Kinberg até Dawn of the Jedi, de James Mangold.
E é aí que chegamos ao grande elefante na sala do Conselho Jedi. Há exatos três anos, na Star Wars Celebration de 2023, fomos apresentados a dois projetos que pararam a internet: um filme focado na fundação da Nova Ordem Jedi por Rey e um épico de Dave Filoni para amarrar as pontas do “Mandoverso”. Depois de tanto tempo sem notícias sólidas, muitos já davam esses filmes como silenciosamente cancelados. Porém, segundo a mais recente edição da Production Weekly, ambos receberam atualizações significativas de status, indicando que estão, de fato, entrando em fase de produção.
O caminho para esses dois longas não é nada simples. O projeto focado em Rey (Star Wars: New Jedi Order) carrega o imenso peso da Trilogia Sequela. Embora boa parte das reações online tenha sido desnecessariamente tóxica (muitas vezes atacando o elenco em vez de focar nos problemas narrativos), é inegável que A Ascensão Skywalker não é exatamente uma unanimidade entre os fãs. Continuar a história a partir dali exige uma blindagem pesada. Já o filme de Dave Filoni gerava ceticismo por conflito de agenda tática: com a confirmação do longa The Mandalorian and Grogu, muita gente se perguntou se ainda haveria espaço para um evento estilo “Vingadores” reunindo Din Djarin, Ahsoka e outras pontas soltas da Nova República.
Ver esses dois títulos ativos em uma listagem de produção do setor não substitui um comunicado oficial com pompa e circunstância da Lucasfilm, mas é o farol mais luminoso que tivemos nos últimos anos. Dado o histórico de projetos da franquia que evaporaram antes mesmo das filmagens, a cautela é sempre o melhor escudo. De qualquer forma, para quem estava achando que o futuro da saga no cinema tinha secado como os sóis de Tatooine, essa é uma excelente notícia. Resta saber se, quando as luzes apagarem, a execução vai agradar tanto os veteranos grisalhos quanto os padawans mais novos que sempre batem ponto aqui na Sociedade Jedi.





