O Bizarro (e Valioso) Início de Star Wars nos Quadrinhos da Marvel

O Bizarro (e Valioso) Início de Star Wars nos Quadrinhos da Marvel

Saudações, membros da Sociedade Jedi! Hoje vamos abrir o baú de relíquias da nossa amada franquia para dar uma olhada em algo que beira o surrealismo.

Atualmente, é quase impossível encontrar uma franquia de entretenimento tão gigantesca e bem-sucedida quanto Star Wars. O que começou como uma space opera de risco nos cinemas cresceu para uma trilogia, depois uma trilogia de trilogias e, finalmente, um império de propriedade intelectual que abrange múltiplas plataformas. Séries animadas, videogames, colecionáveis e praticamente qualquer outra mídia que você consiga imaginar já teve a marca de Star Wars estampada.

Nesse vasto oceano de conteúdo, os livros e quadrinhos sempre foram uma constante (mesmo que muitos tenham ido parar no selo Legends). No entanto, muito antes do Universo Expandido ser uma realidade complexa, uma das primeiras adaptações da franquia foi a tentativa da Marvel Comics de transformar o sucesso de bilheteria em uma série mensal. Lançada no mesmo ano do primeiro filme, em 1977, a revista tinha como objetivo adaptar os eventos do que hoje conhecemos como Uma Nova Esperança. Mas as coisas saíram… um pouco diferentes do planejado.

A Difícil Arte da Adaptação

Contar uma história nas páginas de uma HQ não é a mesma coisa que projetá-la em uma tela de cinema. A Marvel precisou adaptar a narrativa para caber na mídia impressa, então é natural que certas diferenças de ritmo, tensão e tom aparecessem. Naquela época, antes do VHS ou do streaming, ler a revista era praticamente a única maneira de reviver a experiência icônica do filme fora das salas de cinema.

Essa parceria histórica foi um golpe de mestre para a Marvel, que já colhia os frutos de séries de sucesso como O Espetacular Homem-Aranha. Considerando o quão rápido a primeira edição chegou às bancas após a estreia do filme, o impacto foi gigantesco — não é à toa que uma cópia em bom estado de Star Wars #1 foi vendida recentemente por US$ 2.318 em um leilão. Porém, com uma publicação lidando com uma licença tão colossal, você imaginaria que os editores prestariam um pouquinho mais de atenção à arte da capa da primeira edição, certo? Errado.

Uma Capa Cheia de “Erros” Maravilhosos

Basta bater o olho na icônica capa de Star Wars #1 para notar que muita coisa ali está fora do lugar. Deixando de lado o fato de que Luke Skywalker parece mais o He-Man bombado do que um fazendeiro adolescente de Tatooine, ele está segurando um sabre de luz… vermelho! Sim, a cor exclusiva dos Lordes Sith. E isso não acontece só na arte principal da capa, mas também no quadro no canto superior esquerdo. O mesmo erro se aplica ao sabre do nosso querido Obi-Wan Kenobi.

Falando em coisas que não deveriam ser vermelhas, o clássico penteado da Princesa Leia está perfeitamente desenhado, mas o cabelo dela foi colorido de vermelho brilhante por algum motivo inexplicável.

Claro, essas discrepâncias podem ser facilmente justificadas: o artista e o colorista provavelmente usaram de liberdade criativa para garantir que as lâminas de energia e o cabelo de Leia não desaparecessem no fundo espacial escuro da capa. Boa sorte tentando fazer uma alteração visual dessas passar pela aprovação da Disney hoje em dia!

O Darth Vader… Verde?

Apesar dos sabres trocados, a minha maior reclamação visual nessa capa histórica é a representação de um dos maiores e mais intimidadores vilões de todos os tempos. A presença ameaçadora de Darth Vader simplesmente evaporou nessa adaptação.

Primeiro, o capacete dele tem um tom esverdeado estranho (provavelmente pela mesma regra de contraste que deixou os sabres vermelhos). Mas, cores à parte, o traço geral faz o Lorde Sombrio parecer mais pateta do que aterrorizante. O formato do capacete é muito mais largo do que o original do cinema, fazendo com que ele lembre assustadoramente a paródia do Stewie Griffin vestido de Vader em Family Guy. Para piorar, a base traseira do capacete é assimétrica, adicionando uma camada extra de comédia não intencional ao visual.

Em compensação, é preciso admitir que a representação do Obi-Wan Kenobi nessa mesma arte está absolutamente sensacional. Ele tem o semblante de um guerreiro experiente que já derrotou Vader umas três vezes antes do café da manhã, assumindo com louvor o título de melhor duelista da galáxia.


Não estamos aqui para dizer que a arte é ruim de forma alguma — desenhar quadrinhos com prazos apertados na década de 70 era um desafio colossal —, mas é inegável que a capa traz escolhas visuais hilárias sob a ótica de hoje. Com sabres vermelhos, um Luke fisiculturista e um Vader meio esverdeado e largo, Star Wars #1 da Marvel é um reflexo fascinante de uma época em que o cânone visual da franquia ainda estava engatinhando. Sem dúvida, é uma relíquia bizarra e incrivelmente valiosa que qualquer fã adoraria ter na estante.