Domingos têm uma cadência própria, não acham? É aquele dia em que o relógio parece bater mais devagar, o café esfria na xícara sem que a gente tenha pressa de tomar, e a Maya aproveita para tirar aquele cochilo longo e esparramado no tapete da sala. É o momento perfeito para a mente vagar solta por outras galáxias. E, curiosamente, nesta manhã tranquila, meus pensamentos acabaram orbitando em torno da figura mais sombria e constante desse universo que tanto amamos: a presença inescapável de Darth Vader.
Enquanto heróis lendários como Luke Skywalker e Leia Organa costumam fazer aparições pontuais, surgindo como participações especiais nostálgicas aqui e ali nas novas produções, o Lorde Sith nunca realmente saiu de cena. Desde os corredores de Rogue One, passando pela animação Star Wars Rebels, até a mais recente e visceral série Star Wars: Maul – Shadow Lord, Vader continua sendo o centro gravitacional do medo.
Nesta última série, suas aparições foram contadas a gotas, o que só aumentou o terror. Quem assistiu ao penúltimo episódio dificilmente vai esquecer aquela cena gélida dele arrastando uma mulher pelos bosques, anunciando sua chegada apenas pelo som inconfundível daquela respiração mecânica e pesada. Ele sequer precisou dizer uma única palavra durante a série inteira para deixar sua marca. E, de quebra, esse único episódio final em que ele entra em combate resolveu um mistério que nos acompanhava há quase uma década.
Pensemos em Darth Maul. O cara sobreviveu a ser cortado ao meio em A Ameaça Fantasma por puro ódio. Nós acompanhamos, de The Clone Wars a Rebels, a saga desse ex-aprendiz rejeitado por Palpatine, alimentando um ressentimento corrosivo pelo Império e, especialmente, pelo aprendiz que tomou o seu lugar.
Lá em Rebels, quando Maul tentou recrutar o jovem Ezra Bridger, ele confessou algo que soou estranho na época: ele disse que não poderia enfrentar Vader sozinho. Conhecendo a arrogância de Maul, muitos de nós achamos que era apenas um truque, uma manipulação barata para seduzir o garoto para o seu lado. Como um guerreiro tão letal admitiria uma fraqueza dessas?
Bem, Maul – Shadow Lord nos trouxe a resposta com a sutileza de um cruzador estelar caindo na nossa cabeça. Não era manipulação. Era puro instinto de sobrevivência.
No embate épico do final da primeira temporada, vimos Vader lutar contra Maul, a Padawan Devon e o Mestre Jedi Eeko-Dio Daki… ao mesmo tempo. E o mais assustador? Vader parecia não estar fazendo o menor esforço. Ele ceifou a vida do Mestre Daki e varreu o chão com o resto do grupo como se estivesse apenas espantando poeira da sua capa. Diante de uma demonstração de poder tão brutal, implacável e intimidadora, a arrogância de Maul deve ter evaporado ali mesmo. Se um ex-Lorde Sith acompanhado de dois Jedi não deu conta do recado, um duelo um-a-um seria suicídio. A confissão que ele faria a Ezra anos depois no universo de Rebels nasceu do trauma vivido nesse dia.
Agora, o relógio do domingo avança e a segunda temporada de Maul – Shadow Lord já foi confirmada. Fica a expectativa pairando no ar: será que teremos um novo round? Com o Mestre Daki morto, é muito provável que a jovem Devon acabe unindo forças com Maul em sua obsessão doentia de destruir o Império. Mas, sabendo o destino solitário de Maul mais à frente, a aliança desenha um futuro bastante sombrio para a garota.
É fascinante como, quase cinquenta anos depois, a franquia ainda consegue conectar os pontos de sua vasta mitologia de forma tão orgânica, nos lembrando do porquê certas lendas nunca morrem. Vader continua sendo o bicho-papão da galáxia, aquele que faz até mesmo os monstros olharem por cima do ombro.
O domingo segue, a xícara de café já está vazia, mas a respiração de Vader ainda ecoa. Que a Força nos guie por essa semana que se inicia, meus amigos. Nos vemos no próximo salto no hiperespaço!





