Saudações, fãs de todas as eras da nossa galáxia muito, muito distante!
Desde o exato momento em que foi introduzida em Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma, Padmé Amidala se estabeleceu como uma das personagens mais fascinantes da franquia. No começo, fomos todos enganados pela brilhante estratégia de despiste usando sua aia Sabé. Mas quando a verdadeira identidade da Rainha de Naboo foi revelada, ficou claro para o público que estávamos diante de uma líder de bravura e sabedoria inquestionáveis.
As sementes de que ela seria a mãe de Luke e Leia (e o grande amor de Anakin Skywalker) já estavam plantadas, o que garantia sua importância vital para a trilogia prequela. No entanto, embora sua relevância na trama seja inegável, a forma como os filmes lidaram com a personalidade de Padmé ao longo dos anos deixou um gosto amargo. Foi preciso que uma série animada, lançada seis anos após O Ataque dos Clones, entrasse em cena para finalmente fazer justiça à personagem.
O Declínio de uma Rainha nos Cinemas
A Ameaça Fantasma nos entregou uma Padmé forte e inteligente. Ela era apenas uma adolescente, mas lidou com a Batalha de Naboo, trabalhou disfarçada e arriscou a própria vida para salvar seu povo. Quando O Ataque dos Clones começou, mostrando que ela havia se tornado uma senadora ainda na linha de frente do perigo, parecia que essa essência guerreira continuaria intacta.
Infelizmente, não foi bem isso que aconteceu. O romance com Anakin começou a corroer lentamente as características que os fãs tanto admiravam nela. O momento mais gritante desse declínio ocorre quando Anakin confessa ter massacrado homens, mulheres e crianças da tribo dos Incursores Tusken. A atitude de Padmé? Ela basicamente diz que “é humano sentir raiva” e o consola. A jovem idealista de A Ameaça Fantasma jamais teria passado pano para um genocídio de forma tão leviana.
Em A Vingança dos Sith, a situação piorou. É verdade que ela tem a icônica frase “É assim que a liberdade morre, com um estrondoso aplauso”, mas sua história foi quase totalmente reduzida a ser a “esposa do Anakin”. Ela ignora os sinais de alerta e, mesmo sabendo que Obi-Wan acusa seu marido de assassinar crianças (os younglings), ela vai até Mustafar e implora para que ele fuja com ela.
E não podemos esquecer do infame diagnóstico médico: “ela perdeu a vontade de viver”. Para uma mulher que lutou com unhas e dentes pela galáxia, abandonar seus bebês recém-nascidos por causa de um coração partido nunca fez o menor sentido. Mesmo as teorias de fãs (como a de Palpatine drenando a força vital dela para salvar Vader) não apagam o fato de que seu último suspiro foi gasto defendendo o homem que acabou de destruir a Ordem Jedi, em vez de focar no futuro de seus filhos.
“The Clone Wars” e a Retomada da Personagem
Felizmente, Star Wars: The Clone Wars chegou para arrumar a bagunça. Lançada em 2008, a animação resgatou a agência e a força de Padmé em duas frentes fundamentais: Um dos maiores problemas dos filmes era a aceitação passiva de Padmé diante dos comportamentos tóxicos e assustadores de Anakin. Na série animada, a dinâmica muda. Ela finalmente o responsabiliza por seus atos.
O melhor exemplo disso acontece durante o arco envolvendo Rush Clovis. Quando Anakin deixa seu ciúme falar mais alto e espanca Clovis quase até a morte com as próprias mãos, Padmé não oferece um ombro amigo. Em vez disso, ela exige dar um tempo no relacionamento. É o momento mais tenso do casal antes do fatídico Episódio III. Mesmo sendo um pouco frustrante ela ter ficado mais brava com a surra em Clovis do que com o massacre dos Tuskens no passado, foi uma evolução gigantesca ver Padmé impondo limites e mostrando que não era cega aos defeitos do marido.
Além de consertar seu relacionamento, The Clone Wars deu a Padmé o tempo de tela que ela precisava para brilhar no Senado. Com sete temporadas à disposição, a série a colocou no centro de intrigas diplomáticas complexas. Em um dos arcos mais marcantes, Padmé usa sua amizade com a senadora Separatista Mina Bonteri para tentar costurar um acordo de paz que quase encerra a guerra (até Palpatine e Dookan sabotarem tudo, claro).
O Legado Restaurado
O que torna tudo isso ainda mais frustrante é saber que George Lucas gravou cenas excelentes de Padmé efetivamente fundando a Aliança Rebelde com Bail Organa e Mon Mothma para A Vingança dos Sith, mas tudo isso foi cortado na sala de edição. O corte final do cinema a reduziu a uma figura trágica e passiva.
Graças a The Clone Wars, o cânone de Star Wars conseguiu resgatar a dignidade de Padmé Amidala. A série nos lembrou por que ela sempre foi uma das figuras mais importantes da galáxia: não apenas como a mãe dos gêmeos Skywalker ou a esposa de Darth Vader, mas como uma líder feroz, uma política brilhante e uma verdadeira heroína que lutou pela democracia até o fim.
E você, o que acha da jornada de Padmé? Prefere a versão diplomata implacável das animações ou acha que os filmes fizeram o possível com o tempo que tinham? Deixe sua opinião nos comentários!





