A Bizarra (e Indestrutível) Luva de Darth Vader: Por Que Algumas Lendas Devem Continuar Sendo Lendas

A Bizarra (e Indestrutível) Luva de Darth Vader: Por Que Algumas Lendas Devem Continuar Sendo Lendas

Saudações, membros da Sociedade Jedi! É sempre bom ter vocês por aqui para mais um mergulho nos recantos mais profundos — e às vezes bem obscuros — da nossa galáxia muito, muito distante.

Anakin Skywalker, ou Darth Vader, é e sempre será o pilar central de Star Wars. O impacto dele não se resume apenas aos filmes e séries, o Lorde Sombrio também protagonizou histórias espetaculares nos livros e quadrinhos. No cânone atual, as HQs nos presentearam com arcos fascinantes, como a busca obsessiva de Vader para ressuscitar Padmé após sua queda para o Lado Sombrio, e a jornada intensa e quase trágica para sangrar seu cristal kyber e forjar seu icônico sabre de luz vermelho — um processo que por pouco não o trouxe de volta para a Luz.

No entanto, como acontece com qualquer personagem que carrega a franquia nas costas, o antigo Universo Expandido (hoje conhecido como selo Legends) guarda algumas narrativas, digamos… peculiares. E uma dessas histórias completa 34 anos de publicação, vamos relembrar um dos artefatos mais bizarros que já tentaram associar ao nosso vilão favorito.

A Lenda da Luva Indestrutível

Exatos 34 anos atrás, em 1º de junho de 1992, chegava às prateleiras gringas o livro The Glove of Darth Vader (A Luva de Darth Vader), escrito por Hollace e Paul Davids. Sendo o primeiro volume de uma série de seis livros voltada para o público infanto juvenil, a premissa girava em torno de um conceito no mínimo curioso: a luva direita de Darth Vader havia sobrevivido à explosão da segunda Estrela da Morte e se tornado um artefato de poder inestimável, cobiçado pelos remanescentes do Império. O detalhe que o título omitia? Acreditava-se que a luva era indestrutível.

Na trama, logo após a morte do Imperador Palpatine e a queda do Império, um personagem chamado Kadann (o Profeta Supremo) profetiza que o próximo grande governante imperial seria aquele que vestisse a tal luva. É aí que entra a figura de Trioculus, um suposto filho de Palpatine e autoproclamado herdeiro do trono. Ele consegue colocar as mãos na relíquia (com o perdão do trocadilho) e assume o manto de novo Imperador.

O problema para Trioculus é que ele não entendia como a Força funcionava. Ele jurava que, ao vestir a luva, ganharia automaticamente os poderes de Vader. Na realidade, os poderes de Anakin vinham de sua conexão intrínseca com a Força, e vestir uma peça de couro blindado não faria Trioculus estrangular ninguém com a mente. Ainda assim, dentro do universo Legends, a luva manteve um legado notável muito depois da morte de seu dono original.

Nem Toda História Precisa Ser Cânone

Desde que a Disney adquiriu a Lucasfilm em 2012 e reestruturou a linha do tempo, uma parcela dos fãs mantém a reclamação de que muitas histórias fantásticas do Universo Expandido foram apagadas. E é verdade: perder clássicos como a trilogia original de Thrawn ou o brilhante romance de Darth Plagueis foi um golpe duro. No entanto, A Luva de Darth Vader é a prova cabal de que nem toda história merecia ser salva.

Para começar, Trioculus era, literalmente, um mutante de três olhos — um conceito que parece ter saído muito mais das páginas dos X-Men da Marvel do que da ópera espacial de George Lucas. Além disso, adicionar essa camada de misticismo barato a um simples acessório do traje de sobrevivência de Vader não faz jus à complexidade do personagem. Se a base de fãs torceu o nariz (com razão) para o “De alguma forma, Palpatine retornou” nos cinemas, imaginem o nível de rejeição que uma trama sobre um filho mutante com uma luva mágica teria hoje em dia.

O Velho Oeste Galáctico

No fundo, histórias como essa servem para nos lembrar de uma verdade indiscutível sobre os primórdios da franquia: por muito tempo, Star Wars foi um laboratório onde os criadores simplesmente jogavam ideias na parede para ver o que colava. E isso incluía o próprio George Lucas!

Não podemos esquecer que estamos falando da mesma franquia que batizou o gênero musical da Cantina de Mos Eisley de “jizz”, e onde dois protagonistas que passaram dois filmes flertando e até trocaram um beijo… acabaram sendo irmãos gêmeos (com explicações bem questionáveis no processo).

Embora a novela da luva indestrutível não seja o maior dos pecados cometidos nesses quase 50 anos de história, ela definitivamente figura na lista dos contos mais inusitados. Isso não quer dizer que os livros dessa série não sejam uma leitura divertida ou curiosa para quem gosta de arqueologia nerd, mas serve para reforçar que algumas lendas ficam muito melhores exatamente onde estão: no passado, guardadas no selo Legends.

E vocês, o que acham? Preferem o desenvolvimento de Darth Vader nos quadrinhos atuais do cânone ou sentem saudades das loucuras sem limites do antigo Universo Expandido? Deixem suas opiniões, e que a Força esteja com vocês!