Não é fácil ranquear os filmes de Star Wars. Estamos falando de uma das maiores e mais bem-sucedidas franquias da história do cinema. Mais do que isso: até mesmo os filmes que enfrentaram problemas na produção provam que valem a pena ser revistos.
Aqui na Sociedade Jedi, já vimos de tudo. Alguns fãs costumam olhar para trás e usar sites agregadores de notas, como o Rotten Tomatoes, para tentar criar um ranking “oficial”. Mas, sejamos honestos, até essas métricas têm valor limitado. Houve uma campanha pesada de review-bombing (chuva de avaliações negativas) contra as prequels logo quando o Rotten Tomatoes começou, numa época em que a gente nem sabia que review-bombing era uma coisa real.
Naturalmente, a questão de “qual é o melhor” se torna ainda mais urgente quando um novo filme de Star Wars finalmente chega aos cinemas. Seja você um Mestre Jedi das antigas ou um Padawan que acabou de dar seus primeiros passos na Força, a dúvida sempre surge: onde esse novo lançamento se encaixa em relação aos outros?
Abaixo, apresento a nossa visão, ranqueando cada filme de Star Wars do pior ao melhor — incluindo a mais recente aventura, O Mandaloriano e Grogu.
12. A Ascensão Skywalker (The Rise of Skywalker)

A trilogia sequela de Star Wars não terminou com uma explosão, mas com um suspiro. Vítima de inúmeras correções de rota durante a produção, A Ascensão Skywalker é facilmente o filme menos satisfatório (e o menos reassistível) de toda a história da saga. Embora não seja incomum que Star Wars nos dê frases dignas de memes da pior maneira possível, a fala “De alguma forma, Palpatine retornou” entrou literalmente para a história do cinema pelas razões erradas. Incrivelmente, essa linha foi adicionada durante refilmagens na tentativa de trazer “clareza”, o que só mostra o quão bagunçado esse filme realmente é.
Daisy Ridley, John Boyega e Adam Driver dão o seu melhor, mas o talento deles não consegue compensar um roteiro fraco que sofre de uma overdose de nostalgia. O retorno de Palpatine domina a trama, deixando o arco de cada personagem uma bagunça, e a revelação de “Rey Palpatine” cai de forma desconfortável após Os Últimos Jedi (mesmo que a Lucasfilm insista que não foi um retcon). A triste verdade é que um elenco estelar merecia muito mais do que o canto do cisne de J.J. Abrams, e há um motivo claro pelo qual a Lucasfilm levou sete anos para voltar aos cinemas depois disso.
11. Ataque dos Clones (Attack of the Clones)

Falando em diálogos que viram memes pelos motivos errados, Anakin Skywalker realmente achou que “Eu odeio areia” era uma boa cantada. Há tantas ideias excelentes em Ataque dos Clones, mas o filme é infelizmente derrubado por diálogos frustrantes que prejudicam a química entre o Anakin de Hayden Christensen e a Padmé Amidala de Natalie Portman. Infelizmente, há uma razão pela qual Star Wars tem a tendência de “esquecer” subtramas de romance desde a trilogia prequela.
Dito isso, é preciso notar que Ataque dos Clones envelheceu melhor com o passar dos anos — em grande parte devido às histórias adicionais criadas pela Lucasfilm e pela Disney. A animação The Clone Wars, em particular, adiciona muito mais profundidade ao relacionamento de Anakin e Padmé, consertando retroativamente a subtrama romântica. Enquanto isso, o filme sempre será elogiado por algumas atuações de destaque e por nos dar o deleite que foi o duelo entre Yoda e Dookan.
10. A Ameaça Fantasma (The Phantom Menace)

Como a maioria das prequels, A Ameaça Fantasma é absolutamente recheado de ótimas ideias. Na verdade, são três histórias separadas costuradas juntas, cada uma ambientada em um planeta diferente: a trama de libertação de escravos em Tatooine, a invasão da Federação de Comércio em Naboo e as maquinações políticas em Coruscant. Qualquer uma delas daria um filme tremendo, mas o problema está na forma como todas são unidas. O resultado é um enredo irregular que desperdiça seus personagens mais empolgantes (Darth Maul tem um papel mínimo, e sua reputação só foi devidamente consertada por meio de um arco de ressurreição nas séries de TV).
Algumas ordens de visualização de Star Wars feitas por fãs chegam a recomendar pular A Ameaça Fantasma inteiramente. Eles estão errados em fazer isso, esta história é uma parte importante da saga Skywalker e muito mais do que uma origem profunda para Anakin. É a verdadeira história de como a República caiu, porque o filme termina com Palpatine literalmente comandando a galáxia. Mas, embora seja uma visualização essencial, ainda não é um dos filmes mais fortes de George Lucas.
9. Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story)

Estrelando Alden Ehrenreich como o jovem Han Solo, o filme realmente não merece sua reputação de ser o primeiro fracasso de bilheteria de Star Wars. Na verdade, o longa nunca teve muita chance, ele não tinha um “pitch” forte por trás desde o início (foi inspirado pela vaga ideia de Han recebendo seu sobrenome quando tentou se juntar ao Império, com todo o resto sendo adicionado depois). Marketing fraco, um lançamento infeliz em um momento de controvérsia para a franquia e vários conflitos nos bastidores garantiram que Solo tivesse um desempenho abaixo do esperado.
Solo nunca seria um dos melhores filmes da saga. Mas, apesar de todas as suas fraquezas, é divertido. Ehrenreich e Donald Glover estão fenomenalmente bem escalados como os jovens Han e Lando, enquanto a trama da Aurora Escarlate (Crimson Dawn) e o formato de filme de assalto são bastante agradáveis. O drama nos bastidores da direção fez com que ele nunca conseguisse transcender além de um filme “nota 7”, simplesmente porque não parece coeso o suficiente.
8. A Vingança dos Sith (Revenge of the Sith)

A Vingança dos Sith é um dos filmes mais difíceis de ranquear. Por um lado, ele contém algumas das cenas mais memoráveis de toda a trilogia prequela — incluindo a icônica “Batalha dos Heróis”. Por outro lado, novamente, a edição deixa a desejar, passa-se tempo demais em Kashyyyk, e Padmé é criminalmente subutilizada. Lucas queria focar apenas em Anakin, então cortou cenas de Padmé que se tornaram fundamentais para o cânone de Star Wars.
Em parte, o filme fica nesta posição do ranking porque tinha muito potencial não explorado na tela. Isso é provado pela incrível romantização de A Vingança dos Sith escrita por Matthew Stover, uma interpretação sem paralelos da história que, curiosamente, foi lançada antes do filme. (Para constar, sim, eu comprei o livro na época, e levei alguns anos para aprender a amar a versão cinematográfica de Lucas, justamente porque o livro é muito melhor).
7. O Mandaloriano e Grogu (The Mandalorian and Grogu)

O Mandaloriano e Grogu é, basicamente, um filme intermediário de Star Wars. Do ponto de vista crítico, dificilmente é a melhor obra da franquia; tem mais buracos de roteiro do que a infraestrutura da Segunda Estrela da Morte, e você provavelmente conseguiria pilotar um Star Destroyer através deles em vez da Millennium Falcon. A estrutura de três atos não funciona muito bem, deixando a sensação de que pegaram vários episódios da série e costuraram juntos. Personagens secundários não têm arcos (até alguns primários ficam devendo nisso) e os vilões sequer recebem nomes.
E ainda assim, apesar de todas essas críticas, uma coisa precisa ser dita: o filme é, simplesmente, muito divertido. Isso fica claro apenas olhando a diferença entre as notas da crítica e do público no Rotten Tomatoes. Grogu rouba todas as cenas em que aparece, as crianças estão adorando as interações dele com os Anzellans, e o longa apresenta uma das cenas mais inventivas da história de Star Wars — uma sequência inteira que depende totalmente de fazer você se importar com um boneco.
6. O Retorno de Jedi (Return of the Jedi)

O último filme da trilogia original é estranhamente descompassado — mas de alguma forma se sustenta magistralmente. A redenção de Darth Vader é facilmente a cena mais importante da história de Star Wars, a conclusão perfeita para a saga Skywalker de George Lucas. Há muito o que amar neste filme, o que o torna muito difícil de posicionar no ranking.
Ainda assim, O Retorno de Jedi tem algumas coisas jogando contra ele. O enredo carece de originalidade (literalmente trazendo de volta outra Estrela da Morte, cimentando a fama da franquia de abusar de superarmas). Lucas entendeu corretamente que os filmes são para crianças, mas alguns desses elementos infantis entram em conflito com os temas mais maduros do final. Outros elementos envelheceram mal; levou um bom tempo para a franquia descobrir como transformar a “Princesa Leia Escrava” na “Matadora de Hutts”, o que acabou acontecendo em grande parte graças à própria interpretação de Carrie Fisher nas cenas com Jabba.
5. O Despertar da Força (The Force Awakens)

O Despertar da Força foi, sem dúvida, um dos maiores momentos cinematográficos do século 21, um retorno triunfante para Star Wars que arrecadou mais de US$ 2 bilhões em todo o mundo. Infelizmente, o primeiro filme da trilogia sequela também planta muitas das sementes dos problemas atuais da franquia. Escrevendo em sua autobiografia, o CEO da Disney, Bob Iger, insistiu que o filme excessivamente nostálgico de J.J. Abrams era a única maneira de reconquistar os espectadores. Tendo ele razão ou não, a triste verdade é que a nostalgia provou ter retornos decrescentes.
Ainda assim, é um filme muito forte para ser revisto. As atuações são eletrizantes, os momentos nostálgicos batem fundo (“Chewie, estamos em casa”) e o vilão é genuinamente intimidador. O filme conscientemente copia a estrutura de Uma Nova Esperança quase do começo ao fim, mas funciona, entregando um tremendo senso de impulso narrativo que mantém o público grudado na cadeira até os créditos subirem.
4. Os Últimos Jedi (The Last Jedi)

Nenhum filme de Star Wars divide tanto a base de fãs moderna quanto Os Últimos Jedi. Dependendo do seu ponto de vista, é o filme que “quebrou” Star Wars ou uma obra-prima cinematográfica da qual a franquia entrou em pânico e fugiu porque o fandom não conseguiu lidar com ela. Rian Johnson enfrentou a tarefa ingrata de continuar a narrativa a partir das “caixas de mistério” excessivas deixadas por J.J. Abrams, e teve o desafio particular de explicar por que Luke Skywalker havia se exilado em Ahch-To — tudo isso precisando manter o foco na nova geração.
Para nós, é justamente a escala do desafio de Johnson que eleva Os Últimos Jedi. É verdade que o filme desconstrói a lenda de Luke Skywalker, mas faz isso apenas para construí-la novamente. Dito isso, o filme apresenta algumas subtramas que forçam a credulidade, e a estranha perseguição no hiperespaço — que rompe completamente com o amor de George Lucas por velocidade e dinamismo — é a razão pela qual não aparece mais alto neste ranking.
3. Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story)

Rogue One não deveria ter funcionado. Segundo Tony Gilroy, o filme era basicamente “um cadáver na mesa” quando ele o assumiu das mãos de Gareth Edwards, e o resultado — um dos melhores filmes de Star Wars já feitos — é um testamento da habilidade e visão de Gilroy. Projetado como um prelúdio direto de Uma Nova Esperança, Rogue One é um filme com atitude; ele oferece um retrato impressionante do custo da rebelião. Seus temas apenas melhoraram com o tempo, cortesia de lançamentos transmídia e (é claro) da própria série Andor, também de Gilroy.
Rogue One quebra todas as regras de Star Wars, literalmente matando todo o seu elenco principal — e ainda assim, apesar do custo (ou talvez por causa dele), eles vencem. Darth Vader ganha um de seus melhores momentos em toda a saga, uma cena fenomenal no corredor que é ainda mais assustadora quando você percebe que, no fim das contas, ele perde. Por todo o seu poder, por toda a sua eficiência letal, até o Lorde Sombrio dos Sith é impotente contra pessoas comuns que ousam ter esperança.
2. Uma Nova Esperança (A New Hope)

Apenas uma palavra pode ser usada para descrever Uma Nova Esperança (como Lucas mais tarde rebatizou o primeiro filme): obra-prima. Este é o filme que gerou uma franquia bilionária e continua encantador até hoje. O primeiro Star Wars é a jornada clássica do herói comum, com Luke Skywalker sendo o cara normal (ou fazendeiro de umidade) que descobre ter a Força e parte para salvar a galáxia. Os personagens são magnéticos, os conceitos são impressionantes e a galáxia já parece muito bem desenvolvida logo de cara.
No fundo, Uma Nova Esperança é exatamente o que diz na capa do DVD: é um filme sobre esperança, uma declaração ousada de que o bem sempre triunfará sobre o mal, não importa a proeza tecnológica e os vastos exércitos do Império. A mensagem de Uma Nova Esperança transcende a história, sempre relevante e vital, e as atuações são formidáveis. Sendo facilmente um dos filmes de ficção científica mais influentes de todos os tempos, é um digníssimo segundo lugar.
1. O Império Contra-Ataca (The Empire Strikes Back)

Poucas sequências igualam o original. Menos ainda o superam. O Império Contra-Ataca é um desses casos raros. Dirigido por Irvin Kershner, ele dá um salto ousado para expandir a mitologia e transformar um filme autônomo em uma franquia épica. Ele faz isso por meio do que é facilmente um dos melhores retcons (continuidade retroativa) da história do cinema: o famoso momento “Eu sou seu pai”. Essa cena única transformou Star Wars em uma saga geracional, e não é exagero dizer que tudo o que veio depois flui a partir dela.
O Império Contra-Ataca é, simplesmente, uma obra-prima irretocável. É impecável, com uma narrativa amarrada e um final épico onde os vilões (alerta de spoiler) realmente vencem. Os diálogos são afiados e precisos (às vezes graças à recusa de Harrison Ford em ler as falas originais de Lucas como estavam no papel), os efeitos visuais são fantásticos e os temas abordados são de cair o queixo. É o melhor filme de Star Wars já feito, e dificilmente será superado um dia.
E aí, o que achou da nossa lista? Acha que algum filme merecia estar mais alto ou mais baixo? Deixe sua opinião nos comentários e que a Força esteja com você, sempre!





