CRÍTICA: THE MANDALORIAN & GROGU

CRÍTICA: THE MANDALORIAN & GROGU

O Mandaloriano e Grogu” chega aos cinemas essa semana, marcando a aguardada volta de Star Wars aos cinemas após quase 7 anos, apostando em um sucesso absoluto do streaming. Já posso adiantar que esse não será um filme unânime. Talvez os fãs mais exigentes não fiquem completamente satisfeitos, mas aqueles abertos a uma nova aventura terão sua recompensa.

O filme entrega uma missão de Din Djarin, como em um episódio da série, porém mais elaborada e com grande produção. A tarefa do longa é difícil, apresentar uma aventura do Mandaloriano junto de seu filho adotivo, Grogu, unindo tanto fãs que já assistiram à série, quanto fãs que nunca viram ou, mais complicado ainda, o espectador cru, que sequer conhece os personagens. O modo como o filme aborda esse entrave é simples: não retoma pontos específicos da série, os personagens são mostrados como aliados da Nova República na luta contra os remanescentes do Império, o Mandaloriano é um guerreiro espetacular, com diversos dispositivos e experiência e seu parceiro pequenino é um usuário da Força. Quer saber mais sobre eles? Assista à série. O maior objetivo do filme parece ser apresentar esses personagens a um novo público e captá-los para o streaming.

Entrando em um ponto de vista de quem já assistiu às três temporadas de “The Mandalorian” e outras séries do Mandoverso, pode parecer que o longa não entrega muito, afinal realmente não há um avanço na narrativa geral do período e com os rumores de que não haverá um outro filme conectando todas as séries do Disney+, a impressão que fica é de que realmente essa história é apenas uma quarta temporada reduzida a filme.

Porém, mesmo com essa visão, é um filme agradável. Há uma história com começo, meio e fim, que vale a pena acompanhar. O longa trabalha com dois arcos nítidos, é perceptível o final de um e o início do outro, mas nada que atrapalhe, apenas um ciclo que precisa de uma sequência para ser concluído. Personagens são apresentados e utilizados, desempenhando os papéis que lhe cabem, sem pontas soltas, com destaque para o cameo de Martin Scorsese. Aos menos acostumados com o universo de uma galáxia muito, muito distante, pode haver certo estranhamento com uma determinada cena envolvendo os Hutts, ou tudo envolvendo essas lesmas gigantes.

De modo geral, o filme tem um bom ritmo, começando freneticamente e dosando a ação no resto do filme. Como a história é mais simples, direta ao ponto, não há momentos de grandes diálogos e discursos, seguindo com o que vimos muitas vezes na própria série, mas há pontos de destaque como o momento em que Grogu precisa se virar sozinho e é levado ao questionamento de que seu pai não estará presente o tempo todo. Essa é também uma boa passagem do longa, mostrando que o Grogu tem seu valor como personagem avulso, sem necessidade de estar com outros personagens, conseguindo enfrentar seus desafios e manter o interesse do público.

Mas desafio mesmo será o de levar o público para as salas de cinema, o que víamos antes da pandemia de COVID-19 era uma adesão muito maior ao cinema, o divisivo “Ascensão Skywalker” bateu mais de U$1 bilhão em bilheteria, o que até o ano de 2019 era mais comum, uma média de cinco filmes por ano atingiam esse patamar. Porém, após a pandemia o cinema perdeu muita força e só em 2025 que se notou uma retomada dessas grandes bilheterias, mas mesmo assim, não é uma tarefa tão simples, ainda mais levando em conta o atual sentimento do fã com Star Wars. Os ingressos já estão à venda e aqui no Brasil, poucas salas com quantidades expressivas ou lotadas.

Dito tudo isso, é sempre emocionante ver Star Wars nas telonas. Eu fiquei satisfeita com o que assisti e não esperava nada diferente do que me foi entregue, um filme com personagens de uma série de streaming feito para levar mais pessoas a consumirem o material original. Star Wars nasceu no cinema e nada mais natural do que levar seus novos personagens para as telonas.