Fala, pessoal! Que bom ter vocês por aqui. Seja você um Padawan que começou a maratona ontem ou um mestre Jedi que, como eu, ainda guarda o ingresso de papel de décadas atrás, o post de hoje toca em uma ferida que vira e mexe volta a arder na Força: as famigeradas Edições Especiais.
Preparem o protetor de ouvidos, porque vamos viajar até o palácio do Jabba para discutir um dos momentos mais divisivos da nossa saga favorita.
Se você estava vivo e frequentava os cinemas em 1997, deve se lembrar da euforia que foi a celebração dos 20 anos de Star Wars: Uma Nova Esperança. George Lucas decidiu que era hora de dar um “tapa no visual” da trilogia original, usando as novas ferramentas digitais para finalizar cenas que, segundo ele, o orçamento e a tecnologia de 1977 a 1983 não permitiram realizar plenamente.
Algumas mudanças foram até bacanas, como a expansão de Bespin em O Império Contra-Ataca, que deu uma cara mais arejada para a Cidade das Nuvens. Mas aí chegamos em O Retorno de Jedi e nos deparamos com o fatídico 14 de março de 1997. Foi nesse dia que o mundo conheceu o número musical “Jedi Rocks”.
O Sonho de George vs. A Realidade dos Fãs
No corte original de 1983, a banda do Max Rebo tocava uma música funk-eletrônica bem cativante chamada “Lapti Nek”. Era uma cena curta, orgânica, que mostrava Sy Snootles (na época, uma marionete com movimentos limitados) cantando enquanto a coreografia das dançarinas de Jabba fluía naturalmente. Era sombrio, estranho e perfeito para o covil de um gângster intergaláctico.
Lucas, porém, sempre quis algo maior. Ele explicou em materiais de bastidores que, na época, a equipe estava atrasada e os bonecos eram “duros demais”. Rick McCallum, o produtor, reforçava que a boca e os olhos de Sy Snootles não tinham vida. Com o CGI de 97, Lucas finalmente pôde realizar seu sonho: transformar o palácio de Jabba em um palco da Broadway… só que com muito cuspe digital.
Por que “Jedi Rocks” ainda nos incomoda?
O problema não é o CGI em si, mas como ele quebra o ritmo do filme. “Jedi Rocks” é barulhenta, extravagante e traz o Yuzzum Joh Yowza gritando diretamente na lente da câmera. É quase um videoclipe que interrompe a tensão do primeiro ato. Enquanto “Lapti Nek” servia de pano de fundo para mostrar a crueldade de Jabba e o perigo do fosso do Rancor, a nova versão parece um comercial de tecnologia de 1990 que se recusa a acabar.
Curiosamente, até a própria Lucasfilm reconheceu o quão “irritante” o novo cantor poderia ser. No livro canônico Beware the Power of the Dark Side!, é mencionado que muitos no submundo da galáxia sonhavam em dar um fim no pobre Yuzzum só para ele parar de cantar. Se até os personagens sofrem, imagine a gente!
Menos seria Mais
George Lucas sempre foi um visionário apaixonado por testar limites. Ele usou a Edição Especial de 97 como um laboratório para o que viria a ser a trilogia prequel. O erro, talvez, tenha sido o excesso. Se ele tivesse usado o CGI apenas para dar mais expressividade aos olhos de Sy Snootles e sincronizar melhor os lábios da marionete original, mantendo “Lapti Nek”, a transição teria sido suave e respeitosa com o material original.
Em vez disso, temos uma cena que, assim como o encontro de Han Solo com Jabba em Uma Nova Esperança, parece redundante e um pouco deslocada.
O veredito final
Desde 1997, “Jedi Rocks” se tornou o padrão em todos os lançamentos de home video, DVD e Blu-ray. Para as novas gerações, essa é a versão “oficial”. Mas para quem cresceu com o vinil da trilha sonora original, o funk de “Lapti Nek” sempre terá um lugar especial.
Com noticia de que a Lucasfilm vai exibir o corte teatral original de Uma Nova Esperança para o aniversário de 50 anos da saga, quem sabe não sobra uma chance para a gente ver o Max Rebo tocando o clássico original no cinema uma última vez? Sonhar não custa nada, né?
E você? É do time “Lapti Nek” ou acha que “Jedi Rocks” trouxe a energia que o palácio precisava? Deixa aí nos comentários!





