Todo fã de Star Wars, seja aquele que viu a poeira de Tatooine pela primeira vez em um cinema empoeirado de 1977 ou o que deu o primeiro “play” no Disney+, compartilha um ritual sagrado. O ritual de encontrar um objeto longo e cilíndrico — pode ser um guarda-chuva, um tubo de PVC ou o clássico cabo de vassoura da despensa — e, por um breve segundo, sentir o peso de uma arma elegante para tempos menos civilizados. O som, claro, a gente sempre fez com a boca: um “vrummm” vibrante que preenchia o silêncio da sala.
Mas, como nos mostra o novo documentário “Saber”, dirigido por Matthew Wiatt, o som mudou para uma legião de fãs. Agora, o que se ouve é o “clack” seco, ruidoso e muito real do policarbonato se chocando em arenas competitivas.
Acompanhando a jornada de três anos de membros da The Saber Legion (TSL), como Alec e Kat, o filme nos transporta para um mundo onde o “faz de conta” deu lugar ao suor, à armadura pesada e ao desejo genuíno de vitória. O que começou com um vídeo no TikTok chamando a atenção de Wiatt, floresceu em uma narrativa poderosa sobre uma comunidade que encontrou no combate com sabres de luz algo que muitos de nós passamos a vida procurando: um lugar de pertencimento.
É fascinante observar a evolução dessa paixão. O documentário, que terá sua estreia no 51º Festival de Ficção Científica de Boston, não foca apenas na técnica das formas de combate ou na engenharia das lâminas que iluminam o rosto dos competidores. Ele foca no arco do “azarão”, naquelas pessoas que levaram sua obsessão por Star Wars para o campo do atletismo sério, culminando em campeonatos mundiais em plena Las Vegas.
Para quem olha de fora, pode parecer apenas um grupo de entusiastas fantasiados. Mas para quem está dentro da máscara, sentindo o calor e a adrenalina de um duelo real, o sabre de luz deixou de ser um acessório de cena para se tornar um instrumento de conexão humana. Matthew Wiatt, que acabou entrando para a liga depois de filmar, entendeu o segredo: Star Wars sempre foi sobre encontrar sua tribo, seja em uma galáxia muito distante ou em um ginásio em Orlando.
Ao final dos 90 minutos de filme, moldados a partir de mais de 10 terabytes de filmagens, fica uma lição para todos nós: a Força não é algo que apenas assistimos na tela. É algo que construímos quando decidimos que nossos sonhos de infância valem o esforço de um treino pesado e a coragem de subir em uma arena.
Se você ainda guarda seu sabre de plástico com carinho, prepare o coração. “Saber” vai te mostrar que a distância entre o fã e o guerreiro é apenas uma questão de prática — e de encontrar as pessoas certas para cruzar lâminas com você.





