Se você é fã de Star Wars de longa data, sabe que a história do primeiro filme — Uma Nova Esperança — é quase tão lendária quanto a aventura de Luke Skywalker em si. Foi uma produção caótica, cheia de problemas técnicos, orçamentários e, francamente, pouquíssima fé dos executivos do estúdio, a 20th Century Fox. Ninguém, nem mesmo George Lucas, imaginava que aquele “filmezinho espacial” se tornaria um fenômeno cultural que mudaria o cinema para sempre.
Mas e se eu te disser que, nos corredores da Fox em 1977, havia outra produção que estava sendo tratada como a verdadeira aposta de sucesso daquele ano? Um épico de fantasia com um elenco de peso, um diretor aclamado e que, supostamente, faria a ficção científica de Lucas parecer coisa de criança.
Prepare-se para uma viagem no tempo, Padawan e Mestre Jedi, porque hoje vamos falar sobre o outro filme de 1977: o que a Fox apostou suas fichas e o porquê dele ter sido engolido pelo poder da Força.
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A Fox tinha uma aposta gigantesca para 1977, a aposta que a Fox realmente achava que seria o blockbuster de verão e faria Star Wars comer poeira era o filme de ficção científica e fantasia épica The Other Side of Midnight (em português, O Outro Lado da Meia Noite).
É importante notar que Star Wars (intitulado A New Hope mais tarde) foi lançado em maio de 1977. O filme que a Fox esperava que fosse o verdadeiro hit de verão, para o qual alocou grande parte do seu orçamento de marketing, era a adaptação do best-seller de Sidney Sheldon.
The Other Side of Midnight: O Gasto Milionário
The Other Side of Midnight era uma adaptação de um romance extremamente popular. A Fox despejou uma fortuna na produção, cerca de 6,5 milhões de dólares na época (um valor considerável, enquanto Star Wars teve que brigar por cada centavo dos seus $11 milhões, que era visto como excessivo para sci-fi). Tinha nomes notáveis, trazendo um apelo de drama e romance de época. Baseado em um livro que vendeu milhões de cópias, garantia uma base de fãs sedenta por ver a história na tela grande.
A confiança da Fox neste filme era tão alta que, quando Star Wars começou a mostrar sinais de ser um sucesso, o estúdio estava despreparado. A equipe de marketing e os executivos estavam focados em preparar o lançamento triunfal de The Other Side of Midnight, enquanto o filme de Lucas era visto apenas como um preenchimento de catálogo.
O Poder da Nostalgia Pura
E o que aconteceu? The Other Side of Midnight foi… um sucesso modesto. Não foi um fracasso, mas também não chegou nem perto de cumprir as expectativas de ser o mega-hit do ano. Ele gerou alguma receita, mas desapareceu rapidamente na memória cultural.
Enquanto isso, Star Wars (que os executivos nem queriam exibir nos cinemas principais!) estava criando filas que davam a volta no quarteirão, vendendo bonecos de ação como água e, mais importante, capturando a imaginação de uma geração inteira.
A diferença crucial é que The Other Side of Midnight era um produto do seu tempo, baseado em tendências literárias. Já Star Wars era pura magia. Era uma mitologia que falava diretamente ao nosso desejo inato por aventura, heróis e a eterna batalha entre o bem e o mal. A Fox apostou em um drama de prestígio, mas o público escolheu a ópera espacial revolucionária.
O Verdadeiro Gênio Não Se Cala
A lição que fica dessa história é uma das mais importantes de Hollywood: a paixão e a visão autêntica sempre triunfam sobre o cálculo frio do mercado. George Lucas, enfrentando a descrença de seu próprio estúdio, deu ao mundo algo que ele precisava: um novo mito.
Se a Fox tivesse apostado em The Other Side of Midnight como seu principal sucesso, a história do cinema e, claro, a nossa amada saga Star Wars, poderia ter sido bem diferente. Felizmente, o entusiasmo de alguns poucos e a resposta estrondosa do público fizeram o trabalho, garantindo que o “filmezinho de ficção científica” recebesse o trono que merecia.
E você, Mestre ou Padawan, imaginava que a Fox tinha outra galáxia na mira em 1977? Que a Força esteja com aqueles que arriscam!





