De Assassino de Jedi a… Saudosista? A Mudança de Maul em “Shadow Lord”

De Assassino de Jedi a… Saudosista? A Mudança de Maul em “Shadow Lord”

Se você estava vivo em 1999, você se lembra do impacto. A porta dupla se abre, a trilha sonora de John Williams explode com Duel of the Fates e, de repente, surge um sujeito com chifres e um sabre de luz duplo que fez todo fã — dos que viram a trilha original no cinema aos que estavam conhecendo a galáxia ali — cair da cadeira. Darth Maul era a personificação do ódio e da eficiência em matar Jedi. Qui-Gon Jinn que o diga (desculpe, ainda dói).

Mas, como dizem por aí, ser cortado ao meio e cair em um poço sem fundo dá bastante tempo para refletir sobre a vida. E parece que o nosso ex-Sith favorito passou por uma crise existencial interessante.

O Inimigo do Meu Inimigo… Tem Princípios?

No dia 6 de abril, a Disney+ estreia Maul: Shadow Lord, uma nova série animada que se passa nos anos de ascensão do Império (aquele “meio de campo” entre a queda da República e o reencontro final com Obi-Wan em Tatooine). E a grande bomba veio de ninguém menos que Sam Witwer, a voz icônica do personagem.

Segundo Witwer, Maul está olhando para o estado atual da galáxia e pensando: “Puxa, bem que a gente podia ter uns dois ou três Jedi por aqui agora, né?”.

Calma, ele não virou um cavaleiro da luz e nem vai sair por aí distribuindo holocron de autoajuda. A questão é mais profunda e, honestamente, muito compreensível para quem já teve um chefe ruim. Maul foi treinado para odiar os Jedi sem questionar, mas agora ele olha para o Império de Palpatine e vê apenas um vazio de valores. Para ele, o Império é puramente sobre poder, dinheiro e influência — um “agarre o que puder” sem elegância nenhuma.

Respeito Pela “Velha Guarda”

O mais fascinante é que Maul passou a respeitar os Jedi justamente pelo que ele antes odiava: os princípios. Com um Jedi, você sabia exatamente onde pisava. Havia uma lógica, um código, uma honra (ainda que oposta à dele). O Império, por outro lado, é um monstro burocrático e implacável com o qual não se pode argumentar.

Essa mudança de tom faz todo o sentido quando olhamos para o Maul que encontramos em Solo (como o mestre do crime da Aurora Escarlate) e, mais tarde, em Star Wars Rebels. Ele se tornou um sobrevivente pragmático. Ele não sente falta da bondade dos Jedi, ele sente falta de viver em uma galáxia onde as pessoas ainda acreditavam em alguma coisa além do próprio umbigo.

O Que Esperar de “Shadow Lord”?

Será que veremos Maul tentando recrutar algum sobrevivente da Ordem 66? Ou será que ele vai apenas usar essa “admiração relutante” para manipular o que sobrou da luz na galáxia em benefício próprio?

O fato é: ver um dos vilões mais implacáveis da franquia admitindo que “no tempo dos Jedi as coisas eram mais organizadas” é o tipo de nuance que enriquece demais o universo Star Wars. É o vilão reconhecendo que, sem um código, a galáxia é apenas um lugar caótico e feio.

Preparem a pipoca (e talvez um lenço, caso ele mencione o Qui-Gon), porque dia 6 de abril a gente descobre como o Lorde das Sombras vai navegar esse novo mundo