Cronicas de Vos | O Banquete dos Nobres e as Migalhas para a Rebelião: A Crônica de um Desprezo Anunciado

Cronicas de Vos | O Banquete dos Nobres e as Migalhas para a Rebelião: A Crônica de um Desprezo Anunciado

Eu estava aqui, sentado no meu canto da galáxia, polindo meu velho capacete de Stormtrooper (aquele que já sobreviveu a três mudanças ), quando a notícia chegou pelo Holonet. Sabe aquele sentimento de quando você acha que finalmente a “alta sociedade” de Coruscant vai reconhecer o valor do trabalho duro na orla exterior? Pois é. O banquete das premiações foi servido, os convites de gala foram enviados, mas mais uma vez, deixaram o melhor de Star Wars comendo poeira no estacionamento de naves.

A injustiça da vez, que anda fazendo o sangue de qualquer fã ferver mais que o motor de uma Podracer, é o desprezo colossal que a nossa “melhor série” (sim, estou falando de Andor, embora o coração de muitos ainda bata forte por Mando) sofreu nas indicações recentes.


O Café Frio da Academia

Abri o site do ComicBook e lá estava: o “snub” (ou, para nós que preferimos o bom português, aquele “vácuo” vergonhoso) que deixou a internet em polvorosa. É engraçado, sabe? Para os críticos de smoking e as bancadas de jurados que parecem nunca ter saído de seus castelos de marfim, parece que se tem sabre de luz ou nave espacial, o conteúdo automaticamente vira “coisa de criança”.

Mas quem assistiu ao que a Lucasfilm entregou na TV recentemente sabe que a história é outra. Estávamos falando de política, de sacrifício, de pessoas reais em situações desesperadoras. Era drama de primeira, daqueles de fazer o espectador esquecer de piscar. Mas, na hora de distribuir os troféus dourados, parece que os jurados preferem premiar, pela décima vez, aquele drama sobre uma família rica brigando por herança ou chefs de cozinha estressados. Nada contra os chefs, mas vocês já tentaram organizar uma rebelião sob o nariz do Império? Isso sim é estresse!

A Voz do Povo é o Som da Cantina

O que me conforta, enquanto tomo meu café (que a essa altura já está mais amargo que o humor do Grand Moff Tarkin), é ver a reação da galera. O fã novo, que conheceu a saga pelo streaming, está lá no Twitter e no Reddit subindo hashtag. O fã das antigas, que viu o brilho de 77, está no fundo da cantina resmungando que “na minha época a gente nem precisava de prêmio para saber o que era bom”.

E eles estão certos. A verdade é que Star Wars sempre foi o “rebelde” de Hollywood. Desde que o George Lucas resolveu fazer um filme de fantasia espacial quando ninguém acreditava, a gente aprendeu que o reconhecimento que importa não vem de uma estatueta em uma prateleira em Los Angeles. O reconhecimento vem daquela conversa de bar que dura três horas, das teorias malucas que a gente cria e daquela sensação de arrepio quando o tema principal toca.


Podem ignorar a gente nos tapetes vermelhos. Podem fingir que as atuações viscerais e os roteiros afiados não aconteceram. No fim das contas, a história nos ensinou que a Rebelião não precisa de medalhas (pobre Chewbacca que o diga, demorou anos para ganhar a dele!). O que nos move é saber que a força está com a obra, e não com quem distribui os prêmios.

A Academia que fique com seus dramas de época. Nós ficamos com a melhor televisão que a galáxia já viu. E se eles não percebem isso, bom… como diria o Han Solo: “Eu sei”.