Se você me acompanha por aqui, sabe que eu estou nessa galáxia desde que o Han Solo ainda nem sabia que ia ser congelado em carbonite. Vi a LEGO evoluir de bloquinhos amarelos básicos para réplicas perfeitas que custam o preço de um speeder usado. Mas a última novidade vinda diretamente da CES, o sistema “Smart Play”, está deixando até o fã mais otimista com uma sensação de que “tem algo errado no hiperespaço”.
A ideia inicial parecia um sonho de criança: peças, minifiguras e blocos que interagem com luzes e sons. Mas, como diria o Almirante Ackbar: “É uma armadilha!”. Ou quase isso. Depois de uma recepção gelada no início do mês devido aos preços astronômicos, a LEGO anunciou uma segunda leva de sets para março. Mas, antes de preparar seus créditos imperiais, vamos analisar as letras miúdas desse contrato.
A Segunda Onda: Preços Menores, Mas com um “Porém” Gigante
A nova linha traz clássicos que a gente ama: o Landspeeder do Luke (US$ 40), um AT-ST (US$ 50), a Millennium Falcon (US$ 100), além da Cantina de Mos Eisley (US$ 80) e a Cabana do Yoda (US$ 70). No papel, parece que a LEGO ouviu nossas reclamações sobre os valores, certo? Errado.





Aqui está o “pulo do gato” (ou do Loth-cat): nenhum desses novos sets vem com o Bloco Inteligente (Smart Brick).
Pois é. Você leva para casa as peças especiais e as minifiguras “Smart” — como o Luke, o Yoda e o Obi-Wan —, mas se quiser que eles realmente façam algo além de ficarem parados na prateleira, você precisa do tal bloco. E como se consegue um? Comprando um dos três sets “All In One” revelados anteriormente. O mais barato deles, o TIE Fighter do Darth Vader, custa US$ 70. Ou seja: para o seu Landspeeder de 40 dólares “funcionar”, você terá que desembolsar, no mínimo, mais 70. A matemática não está batendo, e nem precisa ser um droide calculista para perceber isso.
O Design Sacrificado no Altar da Tecnologia
Como fã das antigas, eu prezo pelo visual. E aqui mora outro problema. Para permitir que o Bloco Inteligente seja encaixado e removido facilmente, os sets foram projetados com “baias” vermelhas que se destacam negativamente no design. O resultado? Construções que parecem incompletas ou visualmente poluídas para quem gosta de exibir os modelos.
Pagamos caro (US$ 40 por um set de 215 peças é um valor bem salgado para os padrões LEGO, ainda mais aqui no Brasil) e recebemos um produto que não agrada totalmente ao colecionador adulto pela estética “brinquedão”, nem facilita a vida dos pais, que se veem obrigados a comprar múltiplos sets caros para que a tecnologia funcione plenamente.
Veredito: Esperar ou Comprar?
A ideia de ter um R2-D2 ou um Yoda interagindo com o cenário é fantástica, mas a execução da LEGO com o sistema “Smart Play” parece, até agora, um pouco desconectada da realidade dos fãs. Estamos pagando um prêmio pela tecnologia, mas recebendo sets que parecem protótipos em alguns aspectos.
Os novos sets chegam oficialmente em 1º de março. Se você já tem um dos sets “All In One” e quer expandir sua coleção, pode ser interessante. Mas se você está entrando agora, respire fundo, canalize sua paciência Jedi e pense bem se esses blocos inteligentes valem o rombo no seu orçamento.
A LEGO está tentando inovar, o que é sempre bom, mas talvez tenha subestimado o quanto nós, fãs, valorizamos tanto a estética quanto a transparência no custo-benefício. Por enquanto, eu continuo preferindo meus sets clássicos, onde a “tecnologia” principal ainda é a nossa imaginação (e o cuidado para não pisar em uma peça no escuro).



