Crônicas de Vos | O Peso dos Créditos Imperiais: Uma Crônica sobre Bilheterias e Desejos Galácticos

Crônicas de Vos | O Peso dos Créditos Imperiais: Uma Crônica sobre Bilheterias e Desejos Galácticos

Sentar na poltrona do cinema para ver um novo Star Wars é, para nós, um rito de passagem. Eu ainda guardo na memória o cheiro da pipoca de décadas atrás, quando as filas dobravam o quarteirão e a gente não fazia ideia do que era um “spoiler”. Naquela época, o sucesso não era medido por gráficos de tempo real em sites especializados, mas pelo tempo que o filme ficava em cartaz. Hoje, a métrica mudou. A Força, ao que parece, também é medida em bilhões.

Ao olharmos para o ranking das bilheterias da saga, percebemos que a nostalgia é a commodity mais valiosa da galáxia. Não é à toa que “O Despertar da Força” repousa soberano no topo, com seus mais de 2 bilhões de dólares. Foi o momento em que todos nós — os velhos fãs de cabelo branco e os novos padawans que mal sabiam segurar um sabre de plástico — nos unimos. Queríamos ver o Han Solo de novo. Queríamos sentir que a magia ainda estava lá. E o mercado respondeu com uma chuva de créditos que faria o Jabba espumar de inveja.

Mas a bilheteria é uma mestre cruel, quase como um Lorde Sith. Ela nos mostra que nem sempre a qualidade caminha de mãos dadas com o faturamento. “A Ameaça Fantasma”, com todo o seu falatório político e o polêmico Jar Jar Binks, rompeu a barreira do bilhão (com a ajuda dos relançamentos), provando que a curiosidade de uma geração inteira órfã de filmes era uma força imparável.

Por outro lado, temos o “lado sombrio” dos números. Ver “Solo: Uma História Star Wars” amargar a lanterna da lista é como ver a Millennium Falcon ser rebocada por um trator de lixo. Foi um filme injustiçado? Talvez. Mas ele serviu para ensinar à Disney que nem mesmo o contrabandista mais charmoso da galáxia consegue salvar um voo que decola na hora errada e com excesso de bagagem de bastidores.

O mais curioso dessa lista é notar onde estão as joias da coroa. “O Império Contra-Ataca” e “Uma Nova Esperança” podem não ter os números brutos das sequelas modernas — afinal, a inflação é um monstro pior que um Rancor —, mas foram eles que construíram o cofre onde hoje a Lucasfilm guarda seus tesouros. Sem o impacto cultural de 1977, não haveria bilhões em 2015.

No fim das contas, essa crônica dos números nos diz algo simples: o fã de Star Wars é passional. A gente reclama, a gente briga por causa de roteiro, mas a gente gasta nossos suados créditos imperiais porque, no fundo, todos queremos acreditar que existe algo épico acontecendo “há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante”.

A bilheteria é apenas o rastro de calor que as naves deixam no vácuo. O que fica, de verdade, é a emoção de ver a luz do sabre se acender no escuro do cinema. Mas, entre nós… ganhar dois bilhões de dólares ajuda bastante a manter as luzes da Estrela da Morte acesas, não é?


Os números não mentem, mas eles também não contam a história toda. O sucesso financeiro garante que teremos filmes pelos próximos cinquenta anos, mas o sucesso emocional é o que nos faz estar aqui, discutindo esses rankings hoje. Star Wars é o equilíbrio perfeito entre o comércio e a mitologia. E que os créditos continuem rolando!

E para você, qual filme da lista merecia ter arrecadado mais (ou menos) do que arrecadou? Vamos debater nos comentários, mas sem usar o truque mental Jedi para me convencer!