Já notaram que, quando há mudanças de gestão em grandes empresas, é sempre preciso trazer do topo da pirâmide a sensação de que tudo está bem, para que o ambiente corporativo não fique pesado? Os tabloides — especialmente os norte-americanos — se alimentam como abutres de qualquer impressão errada e capitalizam cliques em notícias que muitas vezes beiram o irreal.
Nesta semana, Kathleen Kennedy, o terror dos incels, finalmente parece se aposentar em um momento-chave do entretenimento, mas não sem antes tentar entregar dois resultados positivos para a saga. O primeiro chega ainda este ano: The Mandalorian and Grogu, de Jon Favreau. O segundo fica a cargo de Dave Filoni, que já encaminhou o material bruto da segunda temporada de Ahsoka para montagem e pós-produção. O terceiro, sem dúvida, é a obra mais misteriosa da franquia: Starfighter, filme do qual, até o momento, ninguém sabe nada sobre o enredo, e que está sob responsabilidade do diretor sensação do momento, Shawn Levy, que caiu nas graças do público e da crítica após Deadpool & Wolverine (2024).
Quando se trata de Hollywood, não basta falar apenas do diretor — é preciso olhar também para o roteirista e entender quantos projetos já fizeram juntos. No caso deste filme misterioso, o nome é Jonathan Tropper (será que fizeram piadas com “stormtrooper”?), conhecido pela excelente série Banshee — que revelou Anthony Starr, o Capitão Pátria de The Boys — e que já trabalhou com Levy em Projeto Adam (2022).
O clima parece bastante favorável ao projeto, a julgar pelas visitas que a produção recebeu. Em uma única semana, passaram por lá Steven Spielberg, alguém que conhece Star Wars muito bem por sua proximidade com o criador. Mas, sem dúvida, a visita mais comentada na internet foi a de Tom Cruise: sua chegada retumbante em um helicóptero particular, com caixas de som tocando o tema de Missão Impossível, foi uma entrada verdadeiramente triunfal.
O que deveria ser apenas uma visita acabou virando uma brincadeira séria. Tom Cruise se jogou, com seus sapatos novos, em um rio lamacento para rodar uma sequência de ação com sabres de luz. Como ator? Não! Talvez como coreógrafo ou até diretor de uma cena específica, marcando sua participação no filme. Shawn Levy ainda comentou que todos saberão qual foi a sequência de ação dirigida pelo astro. A última vez que algo assim aconteceu foi em Sin City: A Cidade do Pecado (2005), de Robert Rodriguez, quando Quentin Tarantino dirigiu a cena em que Jackie Boy (Benicio Del Toro) conversa com Dwight (Clive Owen) durante uma fuga de carro, em que a paranoia faz Dwight dialogar com um cadáver de garganta cortada e um cano de revólver cravado na testa.
Com uma notícia irreverente dessas, os veículos de entretenimento se alimentaram de informações que até então ninguém tinha. Se o nome do filme remetia apenas a uma nave, agora, com a revelação de uma luta de sabres, as expectativas dos fãs foram elevadas. Levy afirmou que a intenção é fazer apenas um filme — nada de trilogias —, uma nova aventura na galáxia que não dependa da família Skywalker. Ponto para o diretor, que apostou no seguro. Assim, ele pode começar e encerrar sua narrativa dentro do próprio filme, sem depender de universos compartilhados e ambições desmedidas.
A entrevista especial com Shawn Levy saiu durante a semana com o duvidoso título: “Seu trabalho é ressuscitar Star Wars. Sem pressão.” A frase soa como provocação, já que a franquia tem entupido a TV e o streaming com produtos que oscilam entre o medíocre (The Acolyte) e o ousado (Andor). No entanto, o verdadeiro foco histórico da saga sempre foi lotar salas de cinema — uma missão que virou uma batata quente e já passou pelas mãos de Rian Johnson, Patty Jenkins e Taika Waititi. Agora, o diretor em ascensão não perdeu tempo em gravar seu nome nos anais da história da franquia.
A matéria do New York Times parece muito mais interessada em pintar Levy como o homem que resolve um problema latente do que em revelar qualquer coisa sobre o filme, que continua guardado a sete chaves. A única imagem que temos até agora mostra Ryan Gosling e Flynn Gray, um tio e sobrinho que comandam a história, além de mais três nomes que são a “bola da vez” em Hollywood: Matt Smith, Amy Adams e Mia Goth.
O mercado de especulações por qual Star Wars passou nestes últimos anos é algo que movimenta muito dinheiro com investidores, ainda que os projetos tenham sido cancelados. Quem lê um pouco sobre o caminho de todo mercado financeiro entende isso com facilidade. Quando um projeto é anunciado, a primeira coisa que acontece são as ações caírem, pois a reação é que o projeto precisará do investimento. Porém, quando anuncia o cancelamento do projeto, isso significa que você está cortando os gastos que fazem as ações subirem dentro desta que chamamos de “manipulação do mercado” em que você não está mais falando de um produto, mas sim, influenciando no valor de ações. E isso gera um efeito cascata em outros campos, como os da notícia, pois medem a febre do público com o aquecimento de notícias e isso os permite manter o fornecimento se as notícias soarem positivas com o público, mas com a atualidade, até as notícias negativas, que geram aquele buzz que parece alcançar muito mais as pessoas.Recentemente a Apple Tv lançou uma interessante série escrita, produzida e atuada por Seth Rogen sobre a mentalidade de produção em Hollywood chamada The Studio. Aos curiosos, vale conferir esta premiada série.
Depois de tantos nomes se desvincularem da marca, a reportagem do New York Times parece tentar tranquilizar o público ao apresentar a imagem do executivo clássico bem-sucedido, que não está fazendo Star Wars por obrigação, mas porque nasceu para isso. Temos bastante tempo para descobrir mais sobre o projeto, que chega aos cinemas no verão americano, em maio de 2027. Até lá, certamente surgirão mais informações sobre essa obra que tem tudo para reconquistar seu espaço nas salas de cinema.




