Rian Johnson e “O Império Contra-Ataca”: A Realista Missão do “Os Últimos Jedi”

Rian Johnson e “O Império Contra-Ataca”: A Realista Missão do “Os Últimos Jedi”

Se você é fã de longa data ou acabou de descobrir a galáxia muito, muito distante, prepare-se: Rian Johnson, com Os Últimos Jedi (2017), entrou com a missão de fazer o “O Império Contra‑Ataca” dos episódios da nova trilogia. Por que? Bem, nem tudo é explosão e sabre de luz: às vezes, a melhor aposta é sacudir o universo com drama, surpresa e verdades duras.


A Missão de Johnson: Um Filme de Meio-de-Trilogia Transformador

Quando assumiu o Episódio VIII, Johnson revelou que recebeu uma orientação clara da presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy: “Queremos alguém que faça o Império Contra-Atava dessa série.” Ele levou isso a sério — não como referência estilística, mas como propósito narrativo: um ponto de virada genuíno, um choque emocional que definisse toda a sequência.

Johnson declarou que passou dias com J.J. Abrams (diretor de O Despertar da Força) para entender suas intenções e personagens, mas depois seguiu sua própria visão criativa. Ele não veio para desfazer nada, mas para evoluir aquilo que já existia.


Parênteses com O Império Contra‑Ataca… e Sutilezas que Importam

Há sim estruturas paralelas: O Império Contra‑Ataca e Os Últimos Jedi são os capítulos sombrios das trilogias, com heróis diante de dilemas muito mais pessoais do que destruição de estrelas da morte. Rey treina com Luke em Ahch‑To, assim como Luke com Yoda em Dagobah; Finn se vê tentado a abandonar a causa — lembrança óbvia de Han Solo no início de Império.

Mas Johnson faz questão de ressaltar: não foi uma cópia dividida à direita. Finn e Rose formam um duo diferente de Han e Leia; Rose tem motivações próprias e uma relação fraterna com Paige que ninguém viu antes na saga. Estruturalmente parecidos? Sim. Em essência? Totalmente novos.


E o Grande Plot Twist — O Destino de Snoke e Kylo Ren

Johnson decidiu matar Snoke — um vilão grandioso introduzido por Abrams — não por provocação, mas porque achou que Kylo Ren merecia brilhar por conta própria. Foi um movimento narrativo para aprofundar o personagem, não um ato de rebeldia criativa.

Isso refletiu sua coragem em assumir riscos e entregar uma narrativa que fosse dramática, impactante e inesquecível — tal como O Império Contra‑Ataca para George Lucas e Irvin Kershner em 1980.


Johnson não tentou só homenagear Império. Ele quis recriar o que o tornou memorável: o ponto de virada em meio à jornada, com perdas, revelações e progresso doloroso. Ele tentou, e em vários momentos acertou, ao oferecer um filme que transformasse percepções — nem sempre amado por todos, mas definitivamente ambicioso.


No final das contas, Os Últimos Jedi pode não ter superado o status de culto de O Império Contra‑Ataca, mas cumpriu seu objetivo: ser o momento mais arriscado, emocional e provocador da trilogia. Se Johnson queria um choque narrativo, ele acertou — e deixou a galáxia discutindo até hoje.